Milan Kundera exige desculpas de revista que o acusa de delação

Praga, 23 out (EFE).- O escritor tcheco Milan Kundera exigiu da revista semanal Respekt desculpas públicas por ter lhe acusado de delatar um dissidente em 1950 à Polícia política da ditadura comunista (1946-1989), informa hoje a imprensa tcheca.

EFE |

"Milan Kundera solicita uma desculpa ao dono da "Respekt". Caso não seja atendido, entrará na Justiça para defender seus direitos", afirmou Jiri Srstka, diretor da agência literária "Dilia", que representa o autor - radicado na França - na República Tcheca.

A revista tcheca "Respekt", por sua vez, afirma que não tem nenhuma base o pedido de desculpas exigida pelo escritor pela publicação, na semana passada, da controvertida reportagem "A delação de Milan Kundera".

"O pedido de desculpas de Kundera não tem base. Acho, certamente, que não há lugar para isso", declarou hoje à agência Efe Milan Simecka, redator-chefe da revista, que saiu em defesa do jornalista Petr Tresnak, co-autor da matéria.

O assunto está atualmente em mãos dos advogados e Simecka acha que "em uma semana" terá uma análise jurídica para saber como proceder.

Para a matéria sobre o autor de "A Insustentável Leveza do Ser", Tresnak e Ivan Hradilek, do Instituto para o Estudo dos Regimes Totalitários (USTRCR), basearam-se em um ata policial de 14 de março de 1950 e o testemunho oral de uma envolvida, Iva Militka.

O escritor era, em 1950, delegado da residência estudantil de Praga onde, Miroslav Dvoracek passaria a noite, convidado por Militka.

Detido poucas horas depois e acusado de traição, Dvoracek foi condenado a 22 anos de prisão, dos quais cumpriu 14.

Srstka não a contatou a outra parte envolvida, o USTRCR, segundo confirmou o porta-voz deste Instituto, Jiri Reichl.

"Apoiamos nosso investigador. O que afirmou está sustentado com documentos e ninguém apresentou nenhuma outra contraditória", afirmou Reichl.

O "caso Kundera" dividiu intelectuais e políticos tchecos, tendo se pronunciado até o escritor e ex-presidente Vaclav Havel e a Academia de Ciências tcheca, que pediram prudência na publicação das informações, para não perder o contexto da época. EFE gm/jp

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