Microsoft retira sua oferta de compra após rejeitar preço pedido pelo Yahoo!

San Francisco, 4 mai (EFE).- A Microsoft anunciou neste domingo que retirou sua oferta sobre o Yahoo! porque, apesar de ter aumentado sua proposta inicial para US$ 33 por ação, o portal pedia uma quantidade que a empresa não estava disposta a pagar.

EFE |

"Os termos econômicos exigidos pelo Yahoo! não faziam sentido para nós e é do interesse de nossos acionistas, funcionários e outros com participações na Microsoft que retiremos a oferta", disse o executivo-chefe do grupo, Steve Ballmer, em comunicado.

Termina assim um melodrama que começou no dia 31 de janeiro, quando a Microsoft ofereceu US$ 44,6 bilhões - US$ 31 por ação - pelo Yahoo!, firma que desde o primeiro momento insistiu em que a quantidade subestimava seus ativos e potencial.

Na realidade, a quantidade hoje sobre a mesa era de aproximadamente US$ 29,4 dólares por título, já que a Microsoft se comprometeu a pagar parte em ações próprias e estas caíram em torno de 10% desde o final de janeiro.

O gigante do software também tornou hoje público uma carta de Ballmer ao executivo-chefe do Yahoo!, Jerry Yang, na qual assinala que a Microsoft tinha mostrado sua intenção de aumentar sua oferta de compra para US$ 33 por título.

"Mas tudo acabou sendo insuficiente, porque a proposta final era que a Microsoft pagasse outros US$ 5 bilhões mais, ou pelo menos US$ 4 acima de nossa oferta", recrimina Ballmer a Yang na carta.

Ballmer assegura estar "decepcionado com o Yahoo!" e opina que "a combinação de ambas as empresas teria criado valor real para nossos acionistas".

"Claramente, não vai haver acordo", assegura o diretor.

Ballmer explica porque a Microsoft decidiu não abordar diretamente o conjunto de acionistas do Yahoo! e lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) hostil, como esperavam muitos analistas nos últimos dias.

Segundo Ballmer, esta medida teria representado para a Microsoft tentar substituir os atuais membros da direção do portal da internet por uma equipe mais propícia à aliança, operação que em inglês se conhece como "proxi battle".

Em sua carta, o diretor continua falando a Yang: "De nossas conversas deduzimos que o senhor teria tomado medidas que tivessem tornado a Yahoo! uma aquisição pouco desejável para a Microsoft".

Ballmer se refere a um eventual acordo do Yahoo! para terceirizar parte de seu serviço de busca ao Google, líder atual em buscas na rede e publicidade online.

O Yahoo! anunciou no dia 9 de abril que testaria de forma temporária o serviço de publicidade AdSense do Google e incorporaria os anúncios deste último em parte das buscas que fossem feitas em seu portal da internet a partir dos Estados Unidos.

O teste durou duas semanas e foi qualificado de bem-sucedido, por isso que alguns analistas consideravam a possibilidade de ambas as empresas assinarem um acordo definitivo.

Ballmer conclui dizendo que o grupo "seguirá em frente" e também continuará inovando e crescendo com o talento da equipe atual e potencialmente mediante "operações estratégicas com outros parceiros".

A resposta da Microsoft, que chega uma semana depois de ter vencido o prazo imposto ao Yahoo!, deixou paralizados muitos analistas, que pensavam que a firma faria qualquer coisa para completar a operação e competir com o Google.

A divisão de atividades na Internet da Microsoft perdeu US$ 745 milhões nos primeiros nove meses de seu atual ano fiscal, apesar dos bilhões de dólares que o grupo investiu nela.

Enquanto isso, o Google ganhou US$ 1,3 bilhão só nos três primeiros meses de 2008.

No entanto, alguns analistas acham que a batalha não terminou.

Se Jerry Yang não conseguir melhorar a posição do Yahoo! sozinho como tinha prometido a seu conjunto de acionistas, os títulos da empresa entrariam com toda segurança em queda livre.

A Microsoft poderia então voltar a fazer uma oferta que sairia, inclusive, muito mais barata do que a que acaba de abandonar. EFE pg/ma

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG