Michelleti fecha televisão e rádio em Honduras

TEGUCIGALPA - O governo de fato de Honduras fechou nesta segunda-feira dois meios de comunicação favoráveis ao presidente deposto, Manuel Zelaya.

Redação com agências internacionais |

Soldados da polícia e do Exército invadiram e fecharam as empresas cumprindo uma disposição da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), baseada em um decreto de suspensão de garantias constitucionais emitido pelo governo, explicou o porta-voz policial, Orlin Cerrato.

As instalações do canal 36 de televisã e da Rádio Globo estão ocupadas por militares e policiais, que confiscaram os equipamentos e também isolaram as áreas onde ficam os escritórios.


Soldados hondurenhos cercam sede da Rádio Globo em Tegucigalpa / Reuters

A decisão da Conatel ocorreu porque os dois meios foram acusados de serem usados por Zelaya para chamar o povo à insurgência.

Desde antes da deposição de Zelaya, os dois meios mantinham posição favorável a ele e apoiavam a consulta popular que o presidente pretendia ter feito no dia em que foi deposto.

Após a deposição de Zelaya, praticamente foram os únicos meios hondurenhos a divulgarem ao vivo as entrevistas e as viagens de Zelaya durante o seu périplo pelo exterior e, a partir da segunda-feira, a partir da embaixada do Brasil.

Os veículos também fizeram críticas ao presidente de fato Roberto Micheletti, designado pelo Parlamento em 28 de junho.

Após o fechamento das emissoras, o presidente deposto, Manuel Zelaya, pediu que a comunidade internacional "reaja imediatamente". "Eles silenciaram as únicas vozes o que o povo hondurenho tinha, estão matando nosso espírito de forma cruel e desumana", disse Zelaya.

Zelaya disse que o fechamento da rádio e da tv é uma evidência de que foi instaurada uma ditadura brutal em Honduras.

Restrições por decreto

Na noite de domingo, o governo de fato de Honduras assinou um decreto que prevê o fechamento de meios de comunicação, a dissolução de reuniões públicas não autorizadas e a prisão de indivíduos que incitem à insurreição.

Em cadeia nacional de TV, o governo de fato informou que decidiu "interditar qualquer reunião pública não autorizada e impedir a transmissão, por qualquer veículo, de programas que ameacem a paz".

A mensagem destaca que diante dos chamados à insurreição realizados pelo presidente deposto, Manuel Zelaya, e a fim de se evitar que "a grande maioria da população hondurenha seja afetada", os policiais e militares poderão deter "qualquer pessoa que coloque em risco sua própria vida ou a de outros".

O decreto autoriza ainda a "evacuação" de locais ocupados por manifestantes e pede aos partidários de Manuel Zelaya que "respeitem suas disposições". As restrições, que serão ratificadas pelo Congresso hondurenho, deverão vigorar pelo prazo de 45 dias.

Pelo decreto, a empresa de telecomunicações Conatel poderá bloquear qualquer transmissão julgada atentatória à ordem pública.

Um funcionário do governo de fato, que pediu para não ser identificado, disse à AFP que "já são conhecidos" os meios de comunicação que estão incitando à insurreição contra as atuais autoridades, no poder após o golpe que derrubou Zelaya, em 28 de junho passado.

O decreto visava especialmente a rádio Globo e o canal 36 de TV, ambos de Tegucigalpa, dois veículos claramente identificados com a Frente de Resistência ao Golpe de Estado, e que defendem o retorno de Zelaya à presidência.

Zelaya, que está abrigado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, denunciou que "estão restringindo as liberdades de movimento, expressão de pensamento, organização e reunião". "Todas estas liberdades que são uma conquista da humanidade ao longo dos séculos".

Segundo o presidente deposto, a medida também autoriza o Exército e a polícia a deter qualquer pessoa suspeita de realizar atividades políticas ou que circule em via pública durante o horário do toque de recolher imposto pelo governo.

Os toques de recolher são adotados diariamente pelo governo de fato.

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