Michelle Obama, uma primeira-dama negra na Casa Branca

Sou uma anomalia estatística. Uma garota negra, criada no sul de Chicago. Jamais imaginei que chegaria até aqui, afirmou Michelle Obama, que, a partir de janeiro, entrará na Casa Branca como a primeira-dama de seu marido Barack Obama, presidente eleito dos Estados Unidos.

AFP |

Seus simpatizantes se referem a ela como uma nova Jackie Kennedy, considerada pelos americanos como uma das primeiras-damas mais refinadas e elegantes da história do país.

Michelle Obama tem um falar franco e seu cáustico senso de humor a levou a ser acusada por seus adversários de antipatriota, arrogante e até racista. Os questionamentos quanto a seu sentimento patriótico resultaram de um comício em que afirmou: "Pela primeira vez em minha vida adulta estou verdadeiramente orgulhosa de meu país".

"Evidentemente amo meu país. Em nenhum outro lugar, a não ser nos Estados Unidos, minha história teria sido possível", defendeu-se, posteriormente.

Com 44 anos, Michelle Obama admite ter visto com desconfiança a decisão de seu marido de se lançar à corrida pela Casa Blanca: queria preservar a vida familiar.

Mas aceitou sob duas condições: que Malia, de 10 anos, e Sasha, de sete, vissem o pai pelo menos uma vez por semana. E que ele deixasse de fumar.

Barack Obama cumpriu as promesas... mais ou menos, já que confessa que, de vez em quando se rende ao vício do tabaco e fuma um cigarro.

Nascida em uma modesta família do sul de Chicago, Michelle Obama cresceu no South Side, o bairro mais pobre da cidade. Seu pai, Frazer Robinson, funcionário da prefeitura, trabalhou toda a vida, apesar de uma esclerose múltipla. Marina, sua mãe, era dona-de-casa.

Nesse contexto, Michelle conseguiu entrar na prestigiosa Universidade de Princeton em 1981. Sua tese de Sociologia se foca na separação e como os estudantes negros adotam uma "estrutura social e cultural (da raça) branca" e se identificam cada vez menos com sua comunidade étnica.

Depois de Princeton, estudou Direito na Universidade de Harvard antes de virar advogada de uma administradora de Chicago. Ali conhece Barack, com quem viria a se casar. Fez jogo duro às investidas do rapaz, mas acabou cedendo quando convidada para ver um filme de Spike Lee, controverso cineasta negro conhecido pela crítica social de seus filmes.

Depois do casamento, em 1992, Michelle Obama deixou o setor privado para trabalhar na prefeitura de Chicago, depois no hospital universitário, do qual atualmente é vice-presidente encarregada de assuntos externos.

Ela foi um verdadeiro pilar na campanha do marido. Deu centenas de entrevistas e não hesitou em se dirigir às multidões com sua voz um tanto rouca.

"Meu marido será um presidente extraordinário", assegurou.

Mas Michelle Obama diz que não se vê ocupando um lugar proeminente na Casa Branca. E enfatiza: "Com Barack falamos de tudo, mas não sou assessora política dele. Sou esposa dele".

aje/cn/fp

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