Micheletti se recusa a assessorar Lobo junto com Zelaya

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, disse hoje que não pode ser assessor do chefe de Estado eleito, Porfirio Lobo, se tiver como colega Manuel Zelaya, vítima de um golpe de Estado em junho do ano passado. Se Zelaya estiver lá (como assessor da Presidência), então não poderei estar. Não consigo aprender de quem causou tanto dano à economia do país, declarou Micheletti a jornalistas, aos quais afirmou que só assessoraria Lobo se não tivesse que trabalhar com Zelaya, que desde 21 de setembro está na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

EFE |

Lobo anunciou ontem que criará um conselho assessor de ex-presidentes, no qual incluirá Zelaya e Micheletti, principais protagonistas da crise política que o país vive desde o golpe de 28 de junho de 2009.

"Eu vou ter um conselho de ex-presidentes", para que estes me assessorem em assuntos do Governo, e outro formado por representantes do setor empresarial, das Igrejas Católica e Evangélica, da imprensa e de outros setores, afirmou Lobo, que tomará posse em 27 de janeiro.

O conselho de ex-presidentes vai ser formado por Roberto Suazo Córdova (1982-1986), Rafael Ruelas (1990-1994), Carlos Flores (1998-2002), Ricardo Maduro (2002-2006), "mais o presidente Zelaya e o presidente Micheletti", declarou Lobo, que admitiu que ainda não havia consultado os dois últimos.

Os outros dois ex-presidentes civis, José Azcona (1986-1990) e Carlos Roberto Reina (1994-1998), já faleceram.

Micheletti respondeu dizendo que se Lobo o chamar reservadamente "para qualquer conselho", estará "às ordens". Mas disse que se Zelaya estiver por perto, não vai estar disponível, "porque simplesmente este país vive esta situação (política) por culpa dele e da equipe que ele montou para governar".

A respeito da ideia do conselho de ex-presidentes, Micheletti afirmou que o presidente eleito "está agindo corretamente". Porém, recomendou-o a incluir nele outras pessoas que são "muito úteis neste país".

O chefe de Estado interino acrescentou que a situação econômica de Honduras "é ruim", com finanças "fracas" e "compromissos enormes a honrar", ao passo que a "renda não melhorou".

Ele disse ainda que foi por isso que fez um apelo a todos os hondurenhos para que "paguem seus impostos" e, assim, "fortaleçam a economia do Governo" de Lobo. EFE gr/sc

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