Micheletti resiste no poder e seguidores de Zelaya protestam

Tegucigalpa, 21 jul (EFE).- O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, resiste à pressão internacional para que o governante deposto Manuel Zelaya seja restituído no poder, esperado por seus seguidores na próxima sexta-feira, em sua volta ao país.

EFE |

As manifestações a favor de Zelaya continuam em diferentes regiões de Honduras, que, segundo fontes do Governo liderado por Micheletti e do setor privado, já começa a sentir com mais força os efeitos econômicos derivados da crise política, depois da destituição de Zelaya no dia 28 de junho, por militares.

Segundo o presidente do Conselho Hondurenho da Empresa Privada (COHEP), Amílcar Bulnes, o turismo e o setor de serviços foram muito afetados, mas a produção agrícola, industrial e o comércio se desenvolvem normalmente.

A ministra de Turismo do Governo de Micheletti, Ana Abarca, confirmou à Agência Efe que a crise "está afetando muito o setor", embora não tenha precisado o valor das perdas.

O presidente da Câmara de Turismo de Honduras, Epaminondas Marinakys, calculou em US$ 50 milhões as perdas mensais, em relação à receita de US$ 600 milhões, proveniente do turismo em 2008.

A ministra de Finanças do Governo de Micheletti, Gabriela Núñez, disse que até o fim do ano se espera o desembolso de US$ 100 milhões em ajuda internacional e que o país tenha um déficit fiscal de 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e reservas internacionais de US$ 2,4 bilhões.

Micheletti reiterou à imprensa que vai "demonstrar ao mundo que tem a fortaleza para resistir até o último momento", embora tenha admitido que deve "medir as consequências" para que depois não haja "somente pobres no país".

Centenas de ativistas do movimento de resistência que apoia Zelaya se concentraram hoje na populosa Colônia Kennedy, em Tegucigalpa, onde anunciaram que na sexta-feira o acompanharão quando chegar ao país.

Vários dirigentes disseram aos jornalistas que Zelaya deve entrar no país pelo setor de Las Manos, que faz fronteira com a Nicarágua, embora o retorno do presidente deposto seja algo que seus seguidores anunciam desde o dia em que foi derrubado.

Zelaya foi substituído por Micheletti, por designação do Parlamento, que alegou que se tratou de uma "substituição constitucional" e que o ocorrido no dia 28 de junho não foi um golpe de Estado.

A nova vice-ministra de Relações Exteriores, Martha Lorena Alvarado, anunciou hoje que, de maneira respeitosa, pediu à embaixada da Venezuela "a retirada de todo seu pessoal diplomático, administrativo, técnico e de serviços", em um prazo de 72 horas.

O ambiente em Honduras continua sendo de incerteza e à espera que o presidente da Costa Rica, Óscar Arias, mediador da crise política, alcance uma solução pacífica na nova tentativa, a partir de amanhã.

A segunda rodada do diálogo na Costa Rica, realizada no sábado e domingo passados, fracassou, porque a delegação de Micheletti não aceitou o primeiro ponto dos sete propostos por Arias, de que Zelaya seja restituído como presidente imediatamente, mesmo sob condições.

O secretário da Confederação Unitária de Trabalhadores de Honduras (CUTH), Juan Barahona, declarou à Efe que uma nova mobilização em Tegucigalpa está prevista para amanhã, desta vez com estudantes do ensino médio, que se concentrarão em frente ao Parlamento.

Acrescentou que todos manifestarão seu "apoio ao presidente (Zelaya) e que esperam não encontrar com a manifestação dos 'camisas brancas'", como descreveu o grupo que apoia Micheletti.

Por sua parte, Jimmy Dacarett, da União Cívica Democrática (UCD), disse à Efe que amanhã espera reunir entre 40 mil e 50 mil pessoas, em uma mobilização que sairá da zona leste de Tegucigalpa para as proximidades do Estádio Nacional.

"A manifestação se chama 'Pelo patriotismo e pela coragem', porque, hoje, Honduras está lutando por sua democracia e pela do continente", acrescentou Dacarett, que assegurou que não apoia o novo presidente Micheletti como pessoa, mas o Governo que lidera.

EFE gr/pd

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