Micheletti promete respeitar embaixada do Brasil após dispersar simpatizantes

Tegucigalpa, 22 set (EFE).- O governante no poder em Honduras, Roberto Micheletti, prometeu hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que respeitará a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está refugiado o deposto líder, Manuel Zelaya, cujos simpatizantes foram retirados do local pela Polícia.

EFE |

Após a dispersão dos simpatizantes, houve dezenas de detidos e feridos, sem que as autoridades confirmassem que houve vítimas fatais.

"Digo publicamente ao presidente Lula da Silva: vamos respeitar sua sede, porque essa é terra do Brasil e vamos respeitar, se eles responderem a nossos pedidos", disse Micheletti, em declarações à imprensa na Casa Presidencial.

Micheletti disse que o Brasil deve decidir se concede asilo a Zelaya ou o entrega às autoridades hondurenhas, pois este tem pendentes ordens de captura, sob a acusação de vários crimes políticos e comuns.

Uma invasão à delegação do Brasil "nos traria ainda maiores problemas", reconheceu, em declarações à imprensa, a vice-chanceler de Micheletti, Martha Alvarado.

O governante no poder também qualificou de "correto" que Lula tenha pedido a Zelaya, hoje mesmo, de Nova York, que não dê argumentos para que a embaixada seja invadida pelas forças de segurança hondurenhas para detê-lo.

Honduras amanheceu hoje sob um rigoroso toque de recolher em vigor das 16h (19h de Brasília) da segunda-feira e estabelecido até as 18h (21h de Brasília) de hoje.

Pelo menos 20 pessoas ficaram feridas e foram atendidas no estatal Hospital Escola, segundo a imprensa local, enquanto a Polícia confirmou a detenção de mais 150, cerca de 100 delas por violar o toque de recolher e as outras por participar de distúrbios nas imediações da delegação.

As autoridades não confirmaram se nos confrontos entre simpatizantes do deposto líder e as forças de segurança houve mortos, como afirmam versões de seguidores de Zelaya.

Após retornar de surpresa ao país, 86 dias depois do golpe de Estado, Zelaya permanece desde ontem na sede diplomática brasileira junto com vários parentes e simpatizantes, assim como jornalistas de meios de comunicação afins ao deposto presidente.

Dezenas de policiais, com apoio de militares, participaram da dispersão, no qual os simpatizantes de Zelaya responderam com pedras.

Depois de vários minutos de confrontos, os corpos de segurança do Estado tomaram o controle da área, onde também invadiram uma residência vizinha à delegação brasileira, da qual tiraram alguns seguidores de Zelaya.

Os simpatizantes do deposto chefe de Estado se dispersaram pelos arredores da embaixada do Brasil e, nos distúrbios, um veículo-patrulha da Polícia foi incendiado, enquanto outros automóveis sofreram danos em vidros e pneus.

Pelo menos três membros da frente de resistência popular que acompanhavam Zelaya conseguiram sair ontem à noite da embaixada, porque foram alertados que seriam detidos, e estão refugiados em casas particulares, disse hoje à Agência Efe um deles, o líder camponês Rafael Alegria.

Os outros dois dirigentes são os sindicalistas Juan Barahona e Israel Salinas, segundo Alegria, que afirmou que os três estão "fora de perigo".

Alegria advertiu que "o povo continuará na resistência", apesar do toque de recolher e dos controles que as forças de segurança mantêm nas estradas para impedir que os simpatizantes de Zelaya cheguem a Tegucigalpa para fazer manifestações.

Cerca de dez empregados brasileiros e hondurenhos da embaixada deixaram hoje a delegação por vontade própria em um veículo oferecido pelas autoridades locais, informaram fontes policiais.

A poucos metros da sede diplomática, há caminhões do Exército hondurenho, assim como dezenas de policiais e militares com fuzis, tacos de madeira, escudos e gás lacrimogêneo, segundo constatou a Efe. EFE lam-gr/an

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