Micheletti pede para que Brasil entregue Zelaya à Justiça hondurenha

Tegucigalpa, 21 set (EFE).- O presidente de Honduras, Roberto Micheletti, pediu hoje ao Governo brasileiro para que entregue à Justiça hondurenha o chefe de Estado deposto Manuel Zelaya, que permanece na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

EFE |

"Faço um chamado ao Governo do Brasil para que respeite a ordem judicial ditada contra o senhor Zelaya, entregando-o às autoridades competentes de Honduras", disse Micheletti em mensagem lida na residência oficial hondurenha diante de membros da Polícia, Forças Armadas, sociedade civil e iniciativa privada.

"O Estado de Honduras está comprometido a respeitar os direitos do senhor Zelaya no devido processo", acrescentou Micheletti, cuja mensagem foi transmitida em rede nacional de rádio e televisão.

Segundo o governante, "ao decidir retornar a Honduras, o senhor Zelaya aceita seu dever de se apresentar às autoridades para enfrentar as acusações contra si por repetidas violações às leis de Honduras".

"Até o dia de hoje, meu Governo respeitou o estatuto internacional da representação brasileira em Honduras, apesar de o Brasil não nos estender a cortesia de reconhecer o Governo constitucional de Honduras", acrescentou.

Micheletti assegurou que, apesar do retorno de Zelaya, o país está "calmo, prevalecem a lei e a ordem".

"Não há relatos de distúrbios nem de violência, e assim vai permanecer. A presença do senhor Zelaya no país não muda nossa realidade", afirmou o presidente hondurenho, ao pedir que os cidadãos do país fiquem tranquilos.

"Não está claro por que motivo o senhor Zelaya retornou agora a Honduras, só ele o sabe", prosseguiu Micheletti que, entretanto, deu uma resposta para tal questionamento.

"Eu não posso chegar a outra conclusão de que (Zelaya) está aqui para continuar obstaculizando a realização de nossas eleições em 29 de novembro, como ele e seus seguidores vieram fazendo há várias semanas", afirmou.

Micheletti sustentou que a presença do líder deposto "também não muda o compromisso de todos os hondurenhos com o processo eleitoral, que começou sob o próprio mandato do senhor Zelaya há quase um ano (com as eleições primárias dos partidos políticos) e culminará com o pleito presidencial".

O presidente hondurenho insistiu em que Zelaya "foi removido de seu cargo legalmente, por decisão da Corte Suprema de Justiça e do Congresso Nacional de nosso país".

"O problema que se apresentou em Honduras é de natureza interna, que deve ser resolvido por autoridades hondurenhas e conforme seu direito interno. Isto não é um problema que concerne à paz e a segurança internacional", afirmou Micheletti.

"Defenderemos nossa democracia representativa, nossa soberania e autodeterminação", assegurou o presidente de Honduras, pedindo aos hondurenhos para que tenham "confiança e fé" em seu Governo. EFE lam-gr/bba

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG