Micheletti nega consenso sobre restituição de Zelaya

Negociadores do governo interino de Honduras negaram que a comissão de diálogo, que negocia um acordo para pôr fim à crise no país, tenha chegado a um acordo sobre a restituição do presidente deposto Manuel Zelaya - ponto que até agora vem sendo rejeitado pelo líder interino, Roberto Micheletti. Micheletti indicou a jornalistas, em Tegucigalpa, que a falta de consenso sobre a restituição de Zelaya esbarra em uma questão jurídica.

BBC Brasil |

"Estão pedindo que seja o Congresso que determine se ele pode regressar ou não, mas este é um assunto legal, definitivamente é a Corte Suprema de Justiça (quem deve decidir)", afirmou o líder interino à imprensa local.

Depois de uma reunião com Micheletti, os negociadores do governo de fato afirmaram, por meio de um comunicado, que "o diálogo sobre este ponto (restituição de Zelaya) foi cordial e ambos os lados têm feito avanços importantes. No entanto, neste momento, não há nenhum acordo final sobre este ponto".

'Consenso
Mais cedo, Víctor Meza, ex-ministro de Governo e principal representante de Zelaya nas negociações, disse que a comissão havia chegado a um pré-acordo para romper o impasse político no país e que o documento seria submetido à aprovação de Zelaya e de Micheletti.

"Chegamos a um consenso sobre o sexto ponto (do acordo, que se refere à restituição de Zelaya). Não posso falar do conteúdo do texto porque poderia incomodar a outra parte", disse Meza, a jornalistas.

Meza disse que discutiria a questão com Zelaya e esperava ter "uma resposta esta tarde". A resposta do governo interino, porém, foi em outra direção.

De acordo com a rede de televisão Telesur, Zelaya estaria disposto a discutir novas modificações referentes à sua restituição na Presidência.

"Se há mudanças no texto, volta à mesa de discussão. Demos essa faculdade a essas comissões", disse Zelaya, sem deixar claro se estava de acordo ou não com o documento que foi levado para sua avaliação na tarde desta quarta-feira.

Reunidos desde a semana passada, os negociadores discutem um documento baseado no Acordo de San José, proposto pelo presidente de Costa Rica, Oscar Árias, para resolver a crise política desencadeada em 28 de junho, quando Zelaya foi deposto e levado por militares à Costa Rica.

Negociações
Logo depois de se reunir com Micheletti, a representante do governo interino, Vilma Morales, disse em entrevista coletiva que "até agora não há uma posição definitiva sobre este ponto [retorno Zelaya]". Morales não quis dizer quanto tempo os negociadores poderiam levar para discutir este ponto. As negociações devem continuar nesta quinta-feira.

Entre os pontos já acordados pela comissão, Zelaya aceitou não convocar a Assembleia Constituinte - pivô da crise, a formação de um governo de coalizão com representantes dos dois grupos e a rejeição à uma anistia jurídica tanto para Zelaya como para o governo interino.

O abandono à proposta da Constituinte levou ao representante da Frente de Resistência ao Golpe, Juan Barahona, a abandonar a mesa de negociações. O dirigente social, disse, porém, que sua saída não representa uma ruptura com Zelaya.

O presidente deposto disse que esperaria até o dia 15 de outubro por uma solução - o prazo expira nesta quinta-feira.

Refugiado na embaixada brasileira há 23 dias, Zelaya disse que não aceitaria voltar à Presidência depois das eleições de 29 de novembro.

Também nesta quarta-feira, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse estar "satisfeito" com o avanço nas negociações e disse ter esperança de que a crise hondurenha será resolvida.

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