Micheletti inicia retirada de Honduras da Alba

Tegucigalpa, 16 dez (EFE).- O Governo de fato de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, iniciou hoje gestões para retirar o país da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), decisão à qual o presidente deposto, Manuel Zelaya, respondeu acusando-o de ter feito um mal manejo de fundos do bloco.

EFE |

"Hoje a iniciativa será enviada ao Congresso Nacional, a decisão foi tomada ontem à noite em Conselho de Ministros por meio de um acordo assinado pelo presidente da República, Roberto Micheletti", disse aos jornalistas o ministro da Presidência, Rafael Pineda.

O alto funcionário do Governo de fato ressaltou que a retirada da Alba não significa suspender relações comerciais com os países que formam o bloco, liderado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Nesse sentido, segundo Pineda, serão mantidas as relações com a Petrocaribe, por meio das quais Honduras, durante a Administração de Zelaya, deposto em 28 de junho, começou a comprar combustíveis da Venezuela por crédito, além de receber cooperação para diversos projetos sociais.

Pineda explicou que a decisão de renunciar ao tratado de adesão à Alba foi tomada porque "alguns países dessa organização não tiveram (com Honduras) o tratamento respeitoso que corresponde a um país".

A Venezuela, inclusive, "ameaçou invadir Honduras" após a deposição de Zelaya, lembrou Pineda, que foi ministro da Educação do presidente deposto.

Setores políticos e empresariais se opunham no ano passado à adesão de Honduras à Alba por considerar que Zelaya estava levando Honduras ao "socialismo do século XXI" promovido por Chávez.

Após conhecer as intenções de Micheletti, Zelaya acusou o presidente de fato de ter feito mau manejo de mais de US$ 100 milhões provenientes da Petrocaribe e da Alba.

"São mais de US$ 100 milhões provenientes da Alba e da Petrocaribe que Roberto Micheletti gastou e desviou para suas próprias intenções como Governo golpista", disse Zelaya em uma ligação telefônica à Agência Efe de dentro da embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Acrescentou que a decisão anunciada por Micheletti "é insolente, porque está negando aos pobres uma cooperação que estava conseguindo com Hugo Chávez".

"É um ato de soberba, porque utilizaram o dinheiro da Petrocaribe e da Alba, tratado que ele (Micheletti) mesmo aprovou", quando era presidente do Parlamento, ressaltou Zelaya.

Os países-membros da Alba, da mesma forma que a maioria da comunidade internacional, não reconhecem o regime de fato de Micheletti, nem as eleições realizadas em 29 de novembro, que deram vitória a Porfirio Lobo, do opositor Partido Nacional.

Honduras aderiu à Alba no dia 25 de agosto de 2008. A adesão ao bloco foi ratificada em 9 de outubro de 2008, pelo Parlamento hondurenho, então presidido por Micheletti.

O Parlamento aprovou a adesão à Alba por maioria simples, com os votos das bancadas dos partidos Liberal (governista), Unificação Democrática (esquerda), Inovação e Unidade-Social Democrata (PINU-SD) e a Democracia Cristã, que juntos somam 73 votos.

A bancada do Partido Nacional, primeira força de oposição, com 55 deputados, se absteve.

O deputado Toribio Aguilera, do PINU-SD, disse hoje que "farão as consultas" do caso "pela conotação" da denúncia do tratado, depois que, há um ano, o Parlamento ratificou a adesão de Honduras à Alba por maioria simples.

Aguilera disse que não sabe quando será discutida a iniciativa do Executivo de denunciar a incorporação de Honduras à Alba, que é formada ainda por Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua, Venezuela, Dominica, Antígua e Barbuda, e São Vicente e Granadinas. EFE gr/pd

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