Micheletti fecha meios de comunicação e impede manifestações

José Luis Paniagua. Tegucigalpa, 28 set (EFE).- O Governo interino de Honduras, Roberto Micheletti, fechou hoje dois veículos da imprensa local e impediu que os partidários do presidente deposto, Manuel Zelaya, marchassem por Tegucigalpa e outros pontos do país, que completa três meses da derrocada em Estado de sítio.

EFE |

Apenas poucas horas depois de o Governo informar na noite de domingo sobre um decreto que suspende várias garantias constitucionais, incluindo a liberdade de imprensa, forças policiais e militares invadiram hoje às 5h20 locais (8h20 de Brasília) na emissora "Rádio Globo" para tomar suas instalações.

O dono da rádio, Alejandro Villatoro, disse à Agência Efe que a ação foi "igual à do dia 28 de junho", ao lembrar a data em que os militares expulsaram Zelaya do poder e do país.

O fechamento do prédio não impediu, no entanto, que a rádio entrasse no ar pela internet, transmitindo de uma casa, explicou Villatoro.

Menos sorte teve a canal 36 da TV hondurenha, o "Cholusat Sur", que também foi invadido e teve suas instalações cercadas de policiais e militares que impedem a passagem desde a madrugada.

Tanto a "Rádio Globo" como o "Cholusat Sur" são dois dos poucos meios de divulgação a divulgar as opiniões de Zelaya e de seus partidários em Honduras desde o golpe.

O fechamento aconteceu com o amparo de um decreto que suspende as liberdades constitucionais de imprensa, reunião e circulação, entre outras, durante 45 dias.

Essa norma proíbe "emitir publicações por qualquer meio (...) que ofendam a dignidade humana, os funcionários públicos, ou atentem contra a lei, e as resoluções governamentais; ou de qualquer modo atentem contra a paz e a ordem pública".

Cerca de 200 policiais impediram hoje a manifestação convocada na capital hondurenha pela Frente Nacional de Resistência contra o Golpe, que reúne coletivos sociais e sindicais.

Os efetivos ficaram nos dois lados da rua da Universidade Pedagógica, ponto de encontro comum para o início das manifestações desde a queda de Zelaya, impedindo o movimento de centenas de manifestantes.

A operação inclui um helicóptero e um carro antidistúrbios com canhão de água que foi deslocado até a região.

"Está ocorrendo o mesmo em todo o país, o povo está sendo impedido de se manifestar", disse o dirigente camponês Rafael Alegria, um dos líderes da Frente.

"Esperamos que o Congresso não aprove o decreto que restringe os direitos do povo criados por este Governo golpista, que quer ficar no poder além das eleições e de 27 de janeiro", quando termina o mandato de Zelaya, indicou o também dirigente da Frente Juan Barahona.

Barahona se referiu à aprovação que o Congresso deve dar no prazo de 30 dias ao decreto que suspende as garantias e que também foi criticado hoje pelo candidato à Presidência do Partido Nacional, Porfirio Lobo Sosa, líder nas enquetes para o pleito de novembro.

"Não podemos estar a favor de nada que restrinja o que é um direito de todos, que é o mais sagrado que temos, que é a liberdade", declarou.

O embaixador John Bielh, principal assessor para Honduras do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Miguel Insulza, também lamentou a suspensão das garantias.

"Todos sabemos o que significam as restrições à liberdade de imprensa, as ações contra os jornalistas são ações que ninguém ignora, que diminuem e atacam o coração da democracia", disse à Efe.

Bielh afirmou que Insulza pode chegar a Honduras acompanhado de uma missão de chanceleres antes da quinta-feira para tentar reverter esse quadro.

"Acho que em princípio deveria ser na quarta-feira ou quinta-feira, porque isto depende em grande medida da possibilidade dos chanceleres, já que todos têm funções de muito alto nível e muita preocupação e desejo no caso de Honduras, mas não querem vir a turismo ou para conversar", disse. EFE jlp/mh

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