O presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, exigiu que o deposto Manuel Zelaya aceite a celebração de eleições em novembro e se disse disposto a ouvir, mas não a negociar, em uma entrevista ao canal BBC World.

"Primeiro eu quero escutar da parte dele que aceita as eleições, vamos às eleições", declarou Micheletti na entrevista realizada na noite de terça-feira.

"A negociação que temos em Honduras é ir para eleições no dia 29 de novembro, eleger um novo presidente, e então, com clareza, entregar o poder em 27 de janeiro como manda a Constituição e a lei eleitoral", insistiu Micheletti.

Zelaya retornou secretamente a Honduras na segunda-feira, quase três meses depois de ser deposto e exilado, e se refugiou na embaixada do Brasil.

Ao ser questionado sobre a eventualidade de iniciar um diálogo no caso de Zelaya aceitar as eleições com condições, o presidente de fato se limitou a declarar: "Nós não temos nenhuma objeção em escutar as explicações que pode dar".

Micheletti se declarou contrário ao uso da força para tirar Zelaya da embaixada do Brasil, depois que o presidente deposto denunciou que o governo preparava um plano de prisão e assassinato.

"Nós nunca utilizamos a força. Eu sei o que é lutar pela democracia e não acredito em utilizar a força sob nenhuma justificativa. O Exército já tem suas instruções, a polícia tem instruções de cumprir o mandato constitucional".

O presidente de fato também negou o registro de mortes durante a intervenção para dispersar os quase 4.000 simpatizantes de Zelaya da frente da embaixada, como acusam algumas organizações de defesa dos direitos humanos.

ra/fp

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