Micheletti aguarda Insulza e sugere antecipação de eleições em Honduras

Tegucigalpa, 2 jul (EFE).- O novo Governo de Honduras abriu espaço hoje para uma antecipação das eleições como via para solucionar a crise política no país, enquanto aguarda a chegada, na sexta-feira, do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.

EFE |

O novo presidente hondurenho, Roberto Micheletti, declarou à imprensa que está "totalmente de acordo" com a antecipação das eleições gerais convocadas para novembro e reconheceu que isso representaria "uma regra política, sempre e quando for bom para todos os hondurenhos".

"Sempre dentro da lei, não há nenhum problema, eu não tenho nenhuma objeção se essa for uma maneira de solucionar" a crise, disse Micheletti.

O presidente também respondeu ao anúncio da viagem de Insulza ao país ao dizer que será "bem-vindo", ouvido e informado sobre a "cronologia" dos eventos ocorridos desde domingo.

"É bem-vindo, todos os países do mundo são bem-vindos", afirmou Micheletti, depois de o secretário-geral da OEA anunciar a viagem hoje em Georgetown, na Guiana, e assegurar que a comunidade internacional "fez praticamente tudo o que podia" para reivindicar a restituição de Manuel Zelaya.

O novo presidente de Honduras explicou hoje que Insulza chegará acompanhado de uma comissão para manter contatos com membros do Poder Judiciário local, mas não garantiu que vá encontrar com o secretário-geral da OEA.

"Talvez não se encontrem comigo. Eu sou a última parte no caso de ter que dialogar com eles", afirmou.

Com a viagem para Tegucigalpa, Insulza pretende cumprir o mandato recebido pela Assembleia Geral extraordinária da OEA em sua reunião de ontem em Washington.

A resolução adotada nesta quarta-feira estabeleceu um prazo de 72 horas ao Governo de Micheletti para que restitua o líder deposto, sob a ameaça de suspender Honduras do fórum regional.

Enquanto isso, milhares de hondurenhos voltaram a se manifestar nas ruas de Tegucigalpa e San Pedro Sula, a capital industrial e econômica do país, no dia depois de o novo Governo limitar ainda mais as liberdades constitucionais durante o toque de recolher que ocorre diariamente à noite.

Os simpatizantes de Micheletti mostraram durante a semana uma maior capacidade de convocação nas manifestações do que os de Zelaya, que justificam o fato ao alegar uma suposta perseguição a seus líderes, o medo de se expor e a mobilização de gente paga para participar de protestos.

Hoje, no entanto, estes últimos organizaram sua maior mobilização desde o início das manifestações no domingo ao reunir quase cinco mil pessoas diante do prédio da ONU em Tegucigalpa, local que, junto com o edifício da OEA, são os pontos preferidos de manifestantes de ambos os grupos.

Os detratores de Zelaya marcharam hoje por San Pedro Sula, onde quase 20 mil pessoas, segundo números da imprensa local, marcharam em defesa de Micheletti.

Por sua vez, o presidente deposto assegurou hoje no Panamá que Insulza viajará até Honduras para informar às autoridades "golpistas" sobre o ultimato dado pela OEA e "não para negociar", mas não deu novos detalhes sobre seu retorno ao país.

Zelaya, que partiu hoje do Panamá rumo a El Salvador, anunciou no início da semana que retornaria a Honduras nesta quinta-feira.

No entanto, depois do ultimato da OEA para o Governo de Micheletti, o presidente deposto decidiu adiar sua viagem para sábado, embora alguns veículos de imprensa prevejam sua chegada apenas no domingo.

Para o novo Governo, se Zelaya retornar ao país, será detido sob acusações de 18 crimes.

O Ministério Público hondurenho confirmou hoje que há uma ordem de captura internacional contra o chefe de Estado deposto por quatro desses delitos. EFE jlp/bba

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