Michel Martelly toma posse como novo presidente do Haiti

Ex-Músico foi eleito em março prometendo mudança e rompimento com décadas de corrupção e maus governos no Haiti

AFP |

AP
Michel Martelly assume como presidente do Haiti na capital do país, Porto Príncipe
O ex-músico Michel Martelly, de 50 anos, prestou juramento neste sábado em Porto Príncipe como 56º presidente da República do Haiti, apesar de um apagão que deixou no escuro o edifício provisório do Parlamento, onde acontece a cerimônia.

Em seu primeiro discurso oficial, Martelly prometeu acabar com a violência que assola o país, destruído em janeiro de 2010 pelo maior terremoto da sua história. O discurso de Martelly, no entanto, começou mal. Foi feito às escuras e em meio a um calor sufocante por causa de um apagão que atingiu o edifício provisório do Parlamento, local em que a cerimônia foi celebrada.

O edifício, de madeira, foi especialmente construído para a ocasião no centro da capital haitiana e abrigava no momento do discurso 500 pessoas, incluindo uma centena de militares e membros de delegações estrangeiras.

O Haiti é um país pobre, de pouco menos de 10 milhões de habitantes - metade dos quais vive com menos de dois dólares ao dia. Dezesseis meses depois do terremoto de 2010, o ritmo da reconstrução ainda é dolorosamente lento para centenas de milhares de sobreviventes, que perderam tudo e vivem em acampamentos improvisados ao redor da capital, que segue em ruinas.

Além disso, o retorno surpreendente neste ano do ex-ditador Jean Claude "Baby Doc" Duvalier, após 25 anos de exílio, e do primeiro presidente haitiano eleito democraticamente, Jean Bertrand Aristide, reabriu velhas feridas históricas.

É nesse conturbado contexto que assumiu Martelly. "É a primeira vez na história do Haiti que um presidente democraticamente eleito passa a faixa presidencial para um outro presidente também democraticamente eleito e vindo da oposição", disse Edmond Mulet, chefe da missão de estabilização da ONU no Haiti (Minustah, implantada em 2004.

"Uma das grandes tarefas do novo governo será ensinar os haitianos a viver juntos", analisou o romancista Jean-Claude Fignolé, prefeito de um povoado de pescadores no sudoeste do país, em alusão a violência que continua em algumas regiões.

Após receber a faixa presidencial do ex-presidente René Preval, o presidente da Assembleia Geral, que comanda a cerimônia, entregou-a a Martelly, eleito em 20 de março .

Martelly não tem experiência na administração pública. Ele fez campanha prometendo mudança e rompimento com décadas de corrupção e maus governos no Haiti.

Reconstrução lenta

Durante viagem a Washington em abril, o então presidente eleito disse após encontro com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que a reconstrução do Haiti, após o devastador terremoto de janeiro de 2010, está "desesperadamente lenta".

No encontro, ele afirmou a Hillary que conta com os EUA para garantir que a ajuda humanitária internacional seja usada de forma eficiente. Hillary prometeu ajudar o país "até o fim".

Mais de um ano depois do terremoto, centenas de milhares ainda moram em tendas e acampamentos improvisados. Desde então, o país teve de enfrentar também uma devastadora epidemia de cólera.

*Com AFP

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