Michael Jackson é rei em presídio nas Filipinas

Carlos Santamaría. Cebu (Filipinas), 3 mar (EFE).- Famosos no mundo inteiro por suas coreografias, os presos dançarinos do presídio filipino de Cebu quebraram um novo recorde ao interpretarem um dos números de dança de This Is It, o documentário que homenageia Michael Jackson.

EFE |

Por Carlos Santamaría.

Desta vez, 1.500 detentos vestidos com seus macacões laranja e seus chinelos gastos de borracha encarnam em carne e osso o Exército computadorizado que acompanha o "Rei do Pop" em "The Drill", o número especial da música "They Don't Care About Us".

A coreografia, que termina com os internos fazendo um sinal de paz gigante em homenagem ao artista no pátio do presídio, foi incluída nos extras do DVD, lançado em janeiro.

No começo do ano, o próprio coreógrafo de Michael, Travis Payne, viajou para as Filipinas para comandar os ensaios, realizados sob máximo sigilo para evitar vazamentos.

Payne voltou aos Estados Unidos encantado com a atuação, que os presos aprenderam sem problemas em apenas dois dias. Uma prévia oficial do número foi postada no YouTube e foi assistida por quase 16 milhões de internautas em apenas seis semanas.

A internet foi justamente o trampolim para a fama dos presos filipinos, que em 2007 ficaram conhecidos em todo o mundo com sua recriação da coreografia de "Thriller", de 1982.

O clipe provocou uma avalanche de repórteres e turistas ao presídio, antes conhecido apenas pela violência das quadrilhas que atuavam dentro de seus muros.

Entretanto, graças à nova fama dos presos, a prisão recebe cada vez mais doações para modernizar suas instalações, onde uma vez ao mês há um show cujos protagonistas são aplaudidos por seus admiradores como se fossem autênticas estrelas do rock.

O responsável pela transformação é o chefe do presídio, Byron Garcia, que teve a ideia de fazer os presos marcharem ao som de "Another Brick In The Wall", do Pink Floyd.

"Em princípio, era um experimento, algo que queria provar em relação à reabilitação dos internos", conta Garcia à Agência Efe.

Segundo ele, a dança é uma maneira de manter a política de "disciplina com compaixão" sobre os detentos, que participam de maneira voluntária desta particular companhia de dança quando se arrependem de seus crimes "e aprendem a se comportar".

"É o primeiro programa de reabilitação em massa que funcionou com sucesso fora de uma clínica, e eu gostaria de implantá-lo em escala nacional e inclusive fora das Filipinas", afirma o chefe da prisão.

Os réus interpretaram números de inúmeros musicais e artistas, de Elvis Presley a "Grease - Nos Tempos da Brilhantina", passando pela "Macarena", do duo espanhol Los del Río.

No entanto, "Thriller" deixou o repertório em junho de 2009, quando os detentos, entre lágrimas decidiram fazer a coreografia pela última vez como uma despedida a Michael Jackson, que havia morrido naquele mês.

Os presos dançarinos são tão famosos que receberam ofertas para participar de anúncios publicitários. Há rumores de que preparam uma turnê por todo o país, mas Garcia insiste em que ninguém deve esquecer que, por melhor que dancem, continuam sendo criminosos perigosos.

"Não estamos aqui para jogar, nosso objetivo é reinserir na sociedade estes anjos caídos para que não retornem a ela como diabos", ressalta Garcia. EFE csm/bba

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