Mianmar: Washington pode ajudar desabrigados sem o acordo da junta militar

Os Estados Unidos se preparam para ajudar os sobreviventes do ciclone que devastou Mianmar, até mesmo sem o acordo da junta militar que governa o país, anunciou nesta quinta-feira um representante do departamento de Estado.

AFP |

"Se formos autorizados a entrar no país, entraremos. Se nos permitirem apenas sobrevoar o território para lançar a ajuda de aviões, estaremos dispostos a fazê-lo", declarou o diretor do Departamento de assistência internacional para o caso de desastres naturais (Dart), Ky Luu, durante uma entrevista coletiva.

"Todos os elementos que poderiam ter um impacto positivo são examinados e discutidos", afirmou o diretor do Dart, uma divisão da USAID, a agência americana de ajuda internacional, respondendo a uma pergunta sobre hipotéticas missões aéreas de assistência para contornar as reticências da junta em abrir o país à ajuda internacional.

"As missões aéreas para lançar ajuda não são a maneira mais eficiente de fornecer assistência", ponderou. "Estamos estudando essa opção, mas a prioridade segue sendo conseguir um acesso" ao país asiático, acrescentou.

Ky Luu não descartou a sugestão do chanceler francês, Bernard Kouchner, de conduzir essas missões até sem o acordo da junta birmanesa.

"Todas as opções legais estão sendo analisadas", declarou, lembrando que os Estados Unidos participaram de uma operação similar nos anos 90 no Kosovo. Questionado sobre sua concepção de uma intervenção "legal", ele mencionou o mandato da ONU. "Os franceses estão estudando outros princípios", frisou, referindo-se à tentativa francesa de fazer emitir pelo Conselho de Segurança da ONU uma resolução neste sentido, em virtude do "direito de ingerência humanitária".

Os Estados Unidos liberaram uma verba inicial de 3,25 milhões de dólares de ajuda às vítimas do ciclone. Deste total, um milhão de dólares foi entregue à Cruz Vermelha americana.

"Atualmente, o maior problema de toda comunidade internacional é o acesso" a Mianmar, insistiu Ky Luu. "O país não tem a capacidade necessária para responder a uma catástrofe desta magnitude", afirmou.

"O que é necessário imediatamente é o acesso à água potável. E isso é urgente. Outra coisa urgente é o acesso a abrigos temporários. Os desabrigados não podem esperar", enfatizou o diretor do Dart.

"Conclamamos o regime birmanês a autorizar o acesso de todos os atores humanitários" ao país, finalizou.

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