Mianmar volta a alegar independência para recusar ajuda estrangeira

A junta militar birmanesa voltou a invocar nesta quinta-feira a independência do país para reafirmar que está em condições de administrar a extensa operação de ajuda às vítimas do ciclone Nargis, enquanto o acesso às zonas afetadas continua sendo difícil para os voluntários humanitários estrangeiros.

AFP |

"Os birmaneses aceitam qualquer forma de ajuda estrangeira con gratidão, qualquer que seja o valor", afirma um editorial do jornal oficial New Light of Myanmar.

"No entanto, não confiam muito na assistência internacional e reconstruirão a nação com base na independência", acrescenta o jornal, controlado pela junta militar que govera o país de forma absoluta.

Desde que em 1962 o general Ne Win assumiu o poder em Mianmar, praticamente todas as autoridades militares birmanesas insistem no tema de que "a nação birmanesa deve contar antes de mais nada com ela mesma", lembram os analistas.

A atitude acentua o isolamento do país.

Apesar de Mianmar receber aviões carregados de ajuda internacional, o regime continua limitando a presença de voluntários estrangeiros nas áreas mais afetadas pelo ciclone Nargis, que deixou mais de 66.000 mortos e desaparecidos, segundo um balanço oficial.

A catástrofe provocou dois milhões de desabrigados, mas a junta insiste em querer controlar a distribuição de ajuda internacional, o que retarda as operações de socorro e limita a quantidade de vítimas que recebem um auxílio efetivo.

bur-cm/fp

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