Mianmar suspende prisão domiciliar, mas Suu Kyi segue detida

YANGON (Reuters) - As autoridades birmanesas suspenderam na terça-feira a prisão domiciliar da líder oposicionista Aung San Suu Kyi, mas ela continua detida enquanto é julgada por supostamente permitir a invasão de um norte-americano em sua residência, segundo seu advogado.

Redação com agências internacionais |

A Nobel da Paz passou os últimos seis anos em prisão domiciliar, a qual deveria expirar na quarta-feira. Mas ela foi levada para uma penitenciária no começo de maio, devido à suposta violação dos termos da prisão domiciliar.

"A prisão domiciliar foi suspensa, mas ela continua sob detenção. Não sei se devo ficar feliz ou lamentar," disse a jornalistas Nyan Win, advogado dela, depois da audiência judicial.

De acordo com ele, o general da polícia Myint Thein leu a ordem judicial a Suu Kyi nas instalações que ela ocupa dentro da notória penitenciária de Insein, em Yangon.

Suu Kyi passou mais de 13 dos últimos 19 anos sob alguma forma de detenção. Ela provavelmente será condenada a mais cinco anos de prisão pelo incidente de maio, da qual se diz inocente.

Governos ocidentais apontam o julgamento como uma manobra para manter a carismática política oposicionista afastada das eleições marcadas pelo regime militar para o ano que vem na antiga Birmânia.

Suu Kyi nega acusações

A líder da oposição de Mianmar, Aung San Suu Kyi , negou no tribunal ter violado os termos de sua prisão domiciliar quando um americano visitou sua casa, em Yangun.

Suu Kyi, que foi levada a uma prisão no último dia 14 para aguardar o julgamento, disse que não se deu conta imediatamente da presença do intruso, mas foi informada mais tarde por uma assistente.

Numa rara concessão, o regime birmanês permitiu a presença de alguns diplomatas e jornalistas locais no tribunal.

Esta foi a primeira vez que Suu Kyi prestou depoimento no processo. Ela foi acusada pelo governo militar depois que o americano John Yettaw passou a noite em sua casa, onde ela passou a maior parte dos últimos 19 anos em prisão domiciliar.

"Não fiquei sabendo (da visita) imediatamente. Fui informada às 05h00. Minha assistente me disse que um homem havia chegado", disse Suu Kyi no tribunal.

Ela contou ter dado "abrigo temporário" ao intruso, e disse que não informou as autoridades. Segundo Suu Kyi, o homem deixou sua casa às 23h45, no dia 5 de maio.

"Só sei que ele foi para o lado do lago. Não sei que direção ele tomou porque estava escuro". Mas os generais do regime afirmam que o incidente foi planejado para constranger o governo.

Leia mais sobre Mianmar

* Com Reuters e AFP

    Leia tudo sobre: mianmar

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG