Mianmar silencia perante apoio internacional a Nobel da Paz

Bangcoc, 15 mai (EFE).- A Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) fez silêncio hoje diante das chamadas de organismos e Governos de todo o mundo para a libertação da chefe do movimento democrático e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi.

EFE |

O assunto nem chegou a ser mencionado hoje na imprensa do país.

ONU, Estados Unidos, União Europeia (UE), Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Japão, Indonésia e Cingapura, Anistia Internacional, Human Rights Watch e outros pediram a libertação de Suu Kyi, que foi levada nesta quinta-feira ao presídio de Insein por ter violado a prisão domiciliar que cumpria desde 2003.

A única reação aparente do regime militar birmanês é o pessoal que foi enviado para o exterior da penitenciária de Insein, nos arredores de Yangun, que faz uma apuração de todas as pessoas que passam pela região.

"Claro que gostaríamos de publicar essa informação, mas não podemos. A censura proibiria", declarou um jornalista birmanês ao jornal independente "The Irrawaddy", que é distribuído na Tailândia.

Os membros da Associação de Desenvolvimento e Solidariedade de Mianmar, grupo que a Junta Militar empregou no passado para ameaçar, intimidar e enfrentar os partidários de Suu Kyi, colaboram com a vigilância em Insein e seus arredores.

Com a imprensa, a televisão e a internet controlados pelo Estado, aos birmaneses só resta a rádio para poder saber o que acontece com a filha do herói da independência birmanesa, Aung San.

Suu Kyi, de 63 anos, e as duas mulheres, uma mãe e uma filha, que cuidam dela há anos, foram acusadas no mesmo dia que ingressaram em Insein de graves delitos que, no caso da líder birmanesa, podem ser castigados com penas de entre três e cinco anos de prisão.

O julgamento começará na próxima segunda-feira no interior da penitenciária de Insein. Também será julgado o americano John William Yettaw, que chegou a Yangun em 2 de maio.

Segundo um jornal controlado pela Junta Militar, no dia seguinte o americano nadou no lago Inya até a casa de Suu Kyi e, driblando a vigilância, entrou na casa dela.

Yettaw, de 53 anos, foi detido no dia 6 quando abandonou a casa e retornava nadando.

No dia seguinte, o médico da Nobel da Paz de 1991 foi detido pelos corpos de segurança.

Mianmar está sob regime militar desde 1962, embora as últimas eleições legislativas que convocou, em 1990, tenham sido perdidas para Suu Kyi e seu partido. Por isso, não reconheceu o resultado.

Suu Kyi viveu em prisão domiciliar 13 dos últimos 19 anos. EFE tai/rr

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