Mianmar realiza referendo constitucional em áreas arrasadas pelo ciclone

Temendo o regime militar, eleitores birmaneses resignados votavam neste sábado em um referendo de aprovação de uma nova Constituição, em uma segunda etapa do plebiscito organizada no sul de Mianmar, devastado pelo ciclone Nargis.

AFP |

Os centros de votação abriram suas portas às 06H00 locais (20H30 de sexta-feira - hora de Brasília), e ficarão abertos até as 16H00 em sete circunscrições do delta do Irrawaddy (sudoeste) e em outras 40 de Yangun, arrasadas pela catástrofe de 2 e 3 de maio que deixou pelo menos 133.600 mortos e desaparecidos e 2,4 milhões de desabrigados.

Esta votação, a primeira desde 1990 na antiga Birmânia já foi realizada no dia 10 de maio na maior parte dos estados do país, mas havia sido adiada no Irrawaddy e em Yangun.

Em pleno drama humanitário no sul, a junta militar anunciou naquele dia um nível de participação de 99,07%, de um total de 22,7 milhões de eleitores, dos quais 92,4% aprovaram a nova Constituição proposta pelo regime.

Cinco milhões de eleitores eram convocados às urnas para a segunda fase da votação organizada neste sábado.

Os birmaneses não têm qualquer ilusão sobre a credibilidade deste referendo, e admitem que temem os militares.

"O que posso fazer? Votei sim, como todo mundo", disse Ko Naing, um morador de 45 anos de Hlaing Tharyar, na periferia oeste de Yangun. "Que escolha tenho?", perguntou Soei Teck, funcionária de 26 anos. "Eu e meus amigos vamos votar sim porque se a gente votar não as autoridades vão saber, e não queremos problemas", explicou.

Khin Min, uma vendedora de 30 anos, vai votar sim porque tem medo de "ser presa" se votar não.

De qualquer forma, "as pessoas estão tentando sobreviver, e o referendo é a última preocupação delas", considerou sexta-feira Aung Naing Oo, um analista birmanês refugiado na Tailândia.

Para um motorista de táxi, "os generais já ganharam", então "o que importa agora é tentar ganhar algum dinheiro".

Os militares afirmam que a nova Constituição abrirá o caminho para "eleições multipartidárias" em 2010 e uma possível "transferência de poderes" aos civis.

No entanto, para a oposição dirigida pela Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, este texto "anti-democrático" tem como objetivo perenizar a dominação do Exército, no poder desde 1962.

hla/yw

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