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Mianmar proíbe acesso de estrangeiros à região afetada por ciclone Nargis

Bangcoc - A Junta Militar que governa Mianmar (antiga Birmânia) proibiu o acesso de qualquer estrangeiro à região do delta do rio Irrawady, a mais afetada pela passagem do ciclone Nargis.

Redação com agências internacionais |

A medida é mais uma das restrições impostas pelo governo a prejudicar a chegada de ajuda a quase dois milhões de desabrigados.

"Estrangeiros, não. Câmeras, não", foram as ordens do primeiro-ministro de Mianmar, o tenente-general Thein Sein.

Os controles militares e policiais instalados pelo regime nas regiões de Irrawaddy e Yangun se encarregam de fazer cumprir as diretrizes do Governo.

Enquanto segue criando empecilhos para conceder vistos para especialistas de União Européia (UE), Estados Unidos, Austrália e outros países, a Junta Militar convocou 160 pessoas de Bangladesh, China, Índia e Tailândia, nações consideradas amigas, para colaborarem com as tarefas de ajuda humanitária.

Novo ciclone

A ONU advertiu nesta quarta-feira sobre a possibilidade de formação de outro ciclone no norte do mar de Andaman e que poderia entrar pelo sul de Mianmar (antiga Birmânia) nas próximas 24 horas.

O Centro Conjunto de Alerta de Ciclones, que pertence à ONU, disse que "a formação de um grande ciclone tropical é possível".

"Os ventos na área podem chegar a 46 km/h e 56 km/h", precisou o Centro Conjunto de Alerta de Ciclones.

A Organização Meteorológica Mundial tinha previsto na semana passada chuvas no sul de Mianmar, região devastada pelo ciclone "Nargis", a partir de hoje e que durariam aproximadamente três dias.

Destruição

As autoridades locais afirmam que a passagem do ciclone já deixou 38.491 mortos e 27.838 desaparecidos. Já a Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que as vítimas fatais podem chegar a 100 mil, e que mais de 200 mil pessoas estão desaparecidas.

A situação no sul do país, onde os organismos humanitários só conseguiram ter acesso a 300 mil desabrigados em 12 dias, pode se agravar nas próximas 24 horas com a aparição de outro ciclone na região, como advertiu hoje o Centro Conjunto de Alerta de Ciclones, ligado à ONU.

"É possível que se forme um ciclone tropical grande. Os ventos na área podem atingir entre 46 e 56 km/h. O sistema se movimenta (no mar de Andaman) a uma velocidade de 11 km/h do oeste para o noroeste", afirma o Centro Conjunto de Alerta de Ciclones.

Embora os ventos ainda não cheguem a formar um furacão - categoria que se caracteriza quando os ventos alcançam 120 km/h -, o sul de Mianmar terá fortes chuvas nos próximos três dias.

A porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) da ONU Amanda Pitt disse, em entrevista coletiva em Bangcoc, que um novo ciclone prejudicaria todas as operações em andamento e poria em risco os desabrigados.

"Isso terá impacto na capacidade das pessoas de sobreviver. Já estão debilitadas. É um grande problema", afirma Pitt.

Segunda a Ocha, os quase dois milhões de desabrigados precisam de alimentos, roupas, água potável, remédios e condições sanitárias adequadas.

A ONG Oxfam International calcula que o número de mortos pode aumentar em até 15 vezes nas próximas semanas, caso os afetados não recebam água potável e remédios.

O primeiro-ministro da Tailândia, Samak Sundaravej, viajou hoje a Yangun para se reunir com membros da Junta Militar e tentar convencê-los a permitir uma maior entrada de ajuda estrangeira no país.

Sundaravej também levou centenas de telefones via satélite encomendados pelos birmaneses.


Mianmar está localizada no sudeste asiático

A Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) realizará em 19 de maio, em Cingapura, uma reunião ministerial especial para tratar do problema de Mianmar, país que faz parte do bloco regional e que, em 2005, se comprometeu a colaborar com as tarefas de resposta aos desastres naturais.

Além de Mianmar, a Asean é integrada por Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã.

Entenda:
  •  Clique na imagem e veja o infográfico sobre a formação de ciclones

    (Com informações da AFP e EFE)

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