Mianmar processa Nobel da Paz por visita de norte-americano

YANGON - A líder oposicionista birmanesa Aung San Suu Kyi foi formalmente acusada na quinta-feira por violar os termos da sua prisão domiciliar, depois que um norte-americano conseguiu se infiltrar na residência dela, afirmou o partido da militante, acrescentando que ela pode pegar até cinco anos de prisão por isso.

Reuters |

AP
Ativistas pedem a libertação de Kyi em frente à embaixada de Mianmar em Seul
Ativistas pedem a libertação de Kyi
na embaixada de Mianmar em Seu
Ativistas da oposição denunciaram o julgamento, que começa na próxima segunda-feira, como sendo uma manobra da junta militar de Mianmar para manter Suu Kyi, 63 anos, afastada da política até as eleições de 2010.

O processo deriva de um bizarro incidente envolvendo o cidadão norte-americano John William Yettaw, que, segundo a imprensa estatal de Mianmar, afirmou ter atravessado a nado o lago Inya, em Yangon, para em seguida passar dois dias no terreno da casa da ativista, no começo deste mês.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, se disse preocupada com as acusações "infundadas" contra a Nobel da Paz Suu Kyi, e prometeu levar a questão a outros governos da região, inclusive a China, aliada de Mianmar.

"Pedimos às autoridades birmanesas que a libertem imediata e incondicionalmente, junto com seu médico e os mais de 2.100 presos políticos atualmente detidos", afirmou Hillary.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, manifestou por meio de sua porta-voz "grave preocupação" e disse que Suu Kyi é "uma parceira essencial para o diálogo na reconciliação nacional (...), e o governo não deve tomar novas ações que abalem este importante processo."

A Liga Nacional para a Democracia, o partido de Suu Kyi, "condenou fortemente" as acusações, ocorridas a duas semanas de terminar o prazo de seis anos da prisão domiciliar.

A Liga venceu com ampla margem a eleição de 1990, mas os militares impediram que o partido governasse. Suu Kyi passou 13 dos 19 anos desde então detida, na maior parte do tempo em sua própria casa. Sua linha telefônica está cortada, sua correspondência é interceptada, e visitas são restringidas.

A junta militar tradicionalmente ignora os apelos por sua libertação e promete cumprir um "mapa para a democracia" com sete passos, sendo o último deles uma eleição multipartidária em 2010.

A Liga Nacional para a Democracia e governos ocidentais dizem que tal "mapa" e a Constituição redigida no ano passado pelos militares são fachadas para manter a junta no poder.

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