Mianmar oferece a presos redução de pena em troca de apoio à Constituição

Bangcoc, 3 abr (EFE).- A Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) estaria oferecendo aos presos políticos reduções em suas penas em troca de apoio à nova Constituição redigida pelo regime, e rejeitada pelo movimento democrático, denunciaram hoje dissidentes.

EFE |

O parente de um ativista detido no presídio de Insein, nos arredores de Yangun, afirmou que os carcereiros, após anotar o número da identidade dos presos, garantem a eles redução de pena caso se comprometam a defender a Constituição, que será submetida a plebiscito em maio, quando forem soltos.

Embora o regime militar assegure às Nações Unidas que há apenas delinqüentes nas penitenciárias birmanesas, a Anistia Internacional (AI) calcula o número de presos políticos em pelo menos 1.700.

A AI disse essa semana que 40 pessoas foram condenadas à prisão em julgamentos secretos por sua participação nos protestos antigovernamentais de setembro, que foram reprimidos pelos soldados.

Oficialmente, 15 pessoas morreram nessas manifestações, mas a ONU eleva esse número para 31, e a dissidência estima que tenha havido entre 200 e 6 mil detenções.

Uma campanha nacional de detenções contra qualquer tipo de protesto ou crítica à proposta de Constituição dos militares se uniu aos processos judiciais que descumprem os padrões internacionais.

Em menos de cinco dias, os corpos de segurança prenderam oito membros da Liga Nacional pela Democracia, o principal partido da oposição democrática, dirigido por Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz de 1991 e em prisão domiciliar desde 2003.

A Liga Nacional pela Democracia se uniu ontem à campanha pelo "não", grupo formado pelo Conselho Nacional da União de Mianmar (NCUB, em inglês), pelo Governo de Coalizão Nacional da União de Mianmar (NCGUB), pelo Conselho de Nacionalidades Étnicas (ENC).

Também defendem o "não" a Liga da Mulher de Mianmar (WLB), a Federação da Democracia de Mianmar (DFB), o Congresso de Estudantes e Jovens de Mianmar (SYCB) e o Fórum de Jovens e Nacionalidades (NY Forum).

Os meios de comunicação do país, todos controlados pelo Estado, afirmam diariamente que todo birmanês tem a obrigação de aprovar a nova Carta Magna, cujo texto ainda não foi divulgado, apesar de estar aprovado desde fevereiro.

Cópias do documento começaram a circular em segredo no final da semana passada, e seu conteúdo confirma que foi feita para manter os militares na política, já que, entre outras coisas, reserva a eles uma cota considerável no Legislativo. Mianmar é governado por uma ditadura militar desde 1962. EFE tai/wr/gs

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