Mianmar faz 61 anos de independência sem sinal de democracia

Bangcoc, 4 jan (EFE).- A Junta Militar de Mianmar -antiga Birmânia- lembrou hoje os 61 anos de independência do Reino Unido com uma mensagem à população para que apóie a realização de eleições em 2010 e sem dar nenhum sinal de que vá libertar a Aung San Suu Kyi, líder do movimento democrata birmanês.

EFE |

Como em aniversários anteriores, o regime apelou ao nacionalismo para combater as pressões por uma abertura política democrática, que denomina como ameaça do "neocolonialismo" por parte das grandes potências ocidentais.

"Hoje os neocolonialistas estão interferindo nos assuntos internos de outros países, impondo pressão e coagindo outros países para que interpretem o papel de testas-de-ferro, para minar a soberania das nações que estão em sua mira", disse o chefe da Junta Militar, general Than Shwe, em mensagem transmitido pela televisão e rádio.

Em sua mensagem, o general, quem não apareceu nos atos oficiais celebrados na nova capital Naypydaw -cerca de 400 quilômetros ao norte de Yangun- elogiou o particular "Mapa do Caminho para a Democracia", elaborado pela Junta Militar.

"A população deve saber que o Mapa do Caminho do Estado é o espírito da união e do patriotismo, e que é a firme resolução de construir uma nação moderna, pacífica e com uma democracia desenvolvida com disciplina", alegou.

Cerca de 3 mil pessoas, incluindo ministros, funcionários públicos, e oficiais das Forças Armadas assistiram ao desfile militar na esplanada de Naypydaw.

A União Européia (UE) e os Estados Unidos, que mantêm em vigor suas sanções à Junta Militar, consideram que o chamado "Mapa do Caminho para a Democracia idealizada pela Junta Militar faz parte de outro embuste à comunidade internacional".

Por sua parte, a Liga Nacional pela Democracia (LND) aproveitou o aniversário para pedir a libertação de seu líder e ganhadora do prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, mantida sob prisão domiciliar desde 2003, e de outros dirigentes do partido, o único que sobrevive à intensa pressão militar.

Suu Kyi já cumpriu 13 anos de prisão domiciliar desde que, há 19 anos, retornou a Mianmar e aceitou liderar o movimento democrático.

Em outubro de 2007, Suu Kyi propôs de novo à Junta Militar iniciar um diálogo pela alcançar a reconciliação nacional.

Com Suu Kyi à frente, a LND venceu as eleições legislativas realizadas em 1990, e cujos resultados nunca foram reconhecidos pelos generais que governam o país asiático com mão-de-ferro. EFE tai/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG