Mianmar diz não precisar do exterior em distribuição de ajuda

Por Aun Hla Tun YANGON (Reuters) - Mianmar vai aceitar ajuda material do exterior para as vítimas do ciclone Nargis, mas não precisa da presença de trabalhadores humanitários estrangeiros, disse a chancelaria do país na sexta-feira, após uma equipe de resgate do Qatar chegar a Yangon num vôo que foi mandado de volta.

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'Mianmar não está em condições de receber equipes de resgate e informação de países estrangeiros', disse a nota divulgada pelo Myanma Ahlin, jornal oficial do regime militar.

'Mas no momento Mianmar está dando prioridade a receber ajuda e distribuí-la com nossos próprios recursos para as regiões atingidas pela tempestade', diz a nota, acrescentando que 12 vôos com mantimentos pousaram na quinta-feira, contando o do Qatar.

O primeiro-ministro da Tailândia, Samak Sundaravej, pretendia ir a Mianmar no fim de semana, mas recuou depois da nota oficial, dizendo que a viagem 'não faria sentido'.

É cada vez maior a indignação com a reação em geral pífia da junta militar ao ciclone, especialmente em relação à demora na concessão de vistos e autorizações para o envio de ajuda humanitária.

Especialistas dizem que a Tailândia levará pelo menos mais quatro dias para conseguir despachar mantimentos ao país vizinho porque a embaixada birmanesa em Bangcoc fechou na sexta-feira em respeito a um feriado local.

Oficialmente, há cerca de 23 mil mortos e 42 mil desaparecidos, embora os especialistas temam que o número de vítimas fatais possa chegar a 100 mil. Poços, arrozais e silos foram contaminados com água salgada, e há uma gigantesca tarefa de auxílio e resgate a cumprir.

As Nações Unidas estimam que pelo menos 1,5 milhão de pessoas (numa população de 53 milhões) tenham sido 'severamente afetadas' pelo ciclone, que tinha ventos de até 190 quilômetros por hora e também provocou um maremoto. No alagado delta do rio Irrawaddy, os arrozais estão cheios de cadáveres, e os sobreviventes estão à própria sorte.

Nas aldeias atingidas, as crianças estão na situação mais vulnerável. As zonas inundadas estão infestadas pela malária.

Os moradores já começam a reconstruir suas casas, mas ainda não receberam a presença de militares ou de qualquer órgão público para lhes auxiliar.

(Reportagem adicional de Louis Charbonneau e Claudia Parsons na ONU; Kerstin Gehmlich em Berlim, Matthew Bigg em Atlanta; Nopporn Wong-Anan, Grant McCool e Darren Schuettler em Bangcoc)

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