Mianmar continua dificultando ajuda; UE fala em pessoas famintas

Por Aung Hla Tun YANGUN (Reuters) - As 1,5 milhão de pessoas atingidas pelo ciclone Nargis, em Mianmar, encontram-se cada vez mais ameaçadas por doenças e pela falta de alimentos, afirmaram especialistas na quarta-feira.

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No entanto, a junta militar que controla o país rejeitou um pedido da Tailândia para enviar equipes de ajuda ao local.

O premiê tailandês, Samak Sundaravej, reuniu-se com o colega de Mianmar, Thein Sein, em Yangun, por duas horas e meia tentando convencê-lo de que seu país deveria abrir as fronteiras para as operações internacionais de ajuda e facilitar o processo de concessão de visto aos membros de equipes de ajuda.

O ciclone Nargis atingiu, no começo de maio, a densamente habitada região do delta de Irrawaddy, deixando até 100 mil pessoas mortas ou desaparecidas e muitos sobreviventes desabrigados e sem comida.

A ajuda internacional tem chegado de forma muito limitada já que os generais que controlam Mianmar resistem aos pedidos para que abram as fronteiras a funcionários de entidades estrangeiras de ajuda e a suas operações e seus equipamentos.

O premiê de Mianmar 'insistiu que seu país, de 60 milhões de habitantes, conta com um governo, uma população e um setor privado capazes de enfrentar esse problema sozinhos', afirmou Samak a repórteres após regressar para Bangcoc.

'Eles estão confiantes de que conseguirão enfrentar essa crise sem a ajuda de ninguém. Não há surtos de doença, não há fome. Eles não precisam de especialistas, mas desejam receber material de ajuda de todos os países', afirmou Samak.

Louis Michel, principal autoridade do setor de ajuda da União Européia (UE), tem uma opinião diferente.

'Há o risco de ocorrer uma contaminação das águas. Há o risco de haver falta de alimentos porque os estoques de arroz foram destruídos', afirmou ele a repórteres em Bangcoc antes de voar para Yangun a fim de buscar um maior acesso dos funcionários de grupos estrangeiros ao país.

'Queremos convencer as autoridades da nossa boa-fé. Estamos ali por motivos humanitários', disse ele, descartando as sugestões de que a comunidade internacional envie ajuda de forma unilateral.

'Acho que essa não seria a melhor solução' quando comparada com a de tentar selar um acordo de longo prazo com o governo de Mianmar, afirmou Michel.

Informações sobre a aproximação de uma depressão tropical a sudoeste de Yangun, fenômeno que pode se transformar em uma grande tempestade, alimentaram preocupações, na quarta-feira, sobre uma nova tragédia estar se anunciando na região.

Mas a agência meteorológica da Organização das Nações Unidas (ONU) rebateu os temores, afirmando que, apesar da previsão de chuva e ventos fortes em Mianmar, não há sinais de um novo ciclone tropical formando-se na baía da região de Bengala.

'Com a aproximação da temporada das monções, esse tipo de clima continuará a ser verificado e os períodos de chuva intensa vão se tornar mais freqüentes', disse a Organização Mundial Meteorológica em um comunicado divulgado em Genebra.

'Não há indícios da formação de um ciclone tropical na região.'

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