Mianmar condena Nobel da Paz a trabalhos forçados

Bangcoc, 11 ago (EFE).- A Nobel da Paz e líder do movimento democrata birmanês, Aung San Suu Kyi, foi condenada nesta terça-feira a três anos de trabalhos forçados por violar sua prisão domiciliar.

EFE |

Depois de os juízes anunciarem o veredicto no final de uma audiência que durou cerca de uma hora e meia, a Junta Militar presidida pelo general Than Shwe comutou a pena imposta à Nobel da Paz e ordenou que fosse transferida a sua residência para cumprir outros 18 meses de prisão.

A ordem ditada por escrito e assinada por Than Shwe um dia antes de se conhecer a decisão foi lida na sala do tribunal pelo ministro do Interior, general Maung Oo.

Em sua mensagem, o chefe do Governo militar indicou que tinha decidido reduzir a pena de Suu Kyi com o objetivo de manter a "paz e a estabilidade", e também porque ela era filha do general Aung San, assassinado em 1947 e considerado o herói da independência de Mianmar (antiga Birmânia) do Reino Unido.

Usando um tradicional vestido birmanês de cor rosa e cinza, Suu Kyi, que permaneceu por todo o tempo com um semblante sério, segundo diplomatas presentes na sala, se despediu do tribunal com um "obrigado pelo veredicto".

Suu Kyi foi acusada de violar os termos da prisão domiciliar ao receber por duas noites em sua casa o americano John Willian Yettaw, julgado em paralelo por infringir a lei de segurança nacional e condenado a sete anos de prisão, incluindo quatro de trabalhos forçados.

Uma aparente falha nas medidas de segurança permitiu, em maio, que Yettaw atravessasse a nado o lago onde está a casa onde a líder cumpria havia quase seis anos a ordem de prisão domiciliar imposta por ativismo político.

Yettaw, de 54 anos e que sofre de diabetes, recebeu alta ontem à noite do Hospital Geral de Yangun, onde ficou internado por uma semana para receber cuidados contra os ataques de epilepsia que sofre há anos.

A Junta Militar condenou ainda a 18 meses de prisão domiciliar as duas mulheres - mãe e filha - que ajudam Suu Kyi.

As autoridades permitiram a presença de diplomatas na audiência, realizada em um pavilhão do complexo penitenciário de Insein, onde Suu Kyi foi presa em 14 de maio, imediatamente depois de dezenas de policiais invadirem sua casa.

O julgamento de Suu Kyi, tachado de "farsa" pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e por outros líderes mundiais, foi dominado pela obscuridade própria do regime militar e as dificuldades que os juízes colocaram para os advogados de defesa.

No começo de julho, Ban deixou mal-humorado Mianmar depois de o chefe da Junta Militar rejeitar em duas ocasiões, em menos de 24 horas, seus pedidos para se reunir com Suu Kyi em Insein, onde está presa a maior parte dos cerca de 2.100 presos políticos do país.

Os grupos de exilados birmaneses e membros da Liga Nacional pela Democracia (LND), o partido liderado por Suu Kyi e único legalizado que resiste à intensa pressão do regime, denunciam que o julgamento foi a desculpa para impedir que a Nobel da Paz participe das eleições legislativas que a cúpula militar planeja realizar em 2010.

A LND, com Suu Kyi à frente, ganhou por grande maioria o pleito realizado em 1990, e cujo resultado nunca foi reconhecido pelos generais.

Desde que a Nobel da Paz retornou a Mianmar, em 1988, passou quase 14 anos em cativeiro.

O veredicto deste novo julgamento, que a princípio seria emitido em 31 de julho, foi adiado para 11 de agosto pelo tribunal especial, que alegou ser necessário mais tempo para estudar os argumentos legais relacionados com a Constituição de 1974, substituída no ano passado por outra aprovada em um plebiscito. EFE tai/mh

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