Mianmar começa a libertar presos políticos incluídos em anistia

Entre os anistiados estão o ex-chefe do serviço de inteligência militar e líderes do movimento clandestino Geração 88

iG São Paulo |

AP
Homem comemora libertação em Yangon, Mianmar
As autoridades birmanesas começaram nesta sexta-feira a libertar os primeiros dos 651 presos políticos incluídos na quarta anistia declarada pelo presidente Thein Sein em menos de um ano.

Entre os anistiados está o ex-general Khin Nyunt, ex-primeiro-ministro e chefe do serviço de inteligência militar, condenado a 44 anos de prisão por corrupção.

Leia também: Cessar-fogo encerra 62 anos de conflito étnico em Mianmar

Também estão entre os libertados alguns dos mais destacados líderes do movimento clandestino Geração 88, como Min Ko Naing, Htay Kywe, Zaw That Htwe, Jimmy Thein e Nilar Thein, detidos em 2007 por seu suposto envolvimento na organização dos grandes protestos de 2007, a chamada "Revolução Açafrão".

A anistia foi anunciada em meio aos pedidos da comunidade internacional para que o governo de Mianmar liberte todos os presos políticos como mostra de que realmente há uma reforma democrática em andamento.

Segundo a Associação para a Assistência dos Presos Políticos de Mianmar, há no país 1.572 presos, incluindo 260 ativistas da Liga Nacional pela Democracia, formação liderada pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

O partido de Suu Kyi, que nesta semana confirmou que será candidata nas eleições de 1º de maio , estima, por sua vez, que são 600 presos políticos. Esta é a quarta anistia decretada pelo governo de Thein Sein desde maio, quando assumiu o poder, e eleva para 21,8 mil o número de detentos já libertados, embora só 347 fossem presos políticos.

Cessar-fogo

Na quinta-feira, o governo de Mianmar assinou um cessar-fogo com os rebeldes da etnia karen na esperança de acabar com uma das mais antigas insurgências do mundo e eventualmente resolver os conflitos com grupos separatistas no país.

O governo e uma delegação de 19 integrantes da União Nacional Karen (UNK) concordaram com 11 princípios da trégua e assinaram dois amplos acordos, destinados a encerrar as hostilidades entre o governo e o Exército Nacional de Libertação Karen (ENLK) e a iniciar um diálogo com vistas a uma solução política para o conflito, que já dura 62 anos.

O cessar-fogo pode ser também um pequeno passo rumo à suspensão de duas décadas de sanções a Mianmar por parte da União Europeia e dos Estados Unidos, que fazem da paz entre o governo e as milícias étnicas uma pré-condição para rever as punições. Desde 1949, houve seis negociações de paz sem nenhum acordo duradouro.

Desde 1949 - ano seguinte ao fim do domínio colonial britânico sobre a então Birmânia -, o UNK enfrentou sucessivos governos, por meio do ENLK, para reivindicar mais autonomia para o povo Karen, que vive no sudeste do país.

Segundo os acordos firmados em Pa-An, no Estado de Kayin, todos os esforços serão feitos para o retorno e reabilitação de milhares de refugiados do conflito. A presença de armas será permitida apenas em certas áreas, minas terrestres serão retiradas, e escritórios de ligação serão instalados para facilitar os contatos.

O governo também selou um acordo com o Exército do Estado Shan, do sul, ao passo que o início das negociações com o Exército da Independência Kachin (norte) é inviabilizado por persistentes combates, apesar das ordens do presidente Thein Sein para que os militares encerrem suas operações.

Com EFE e Reuters

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