Mianmar: Ban Ki-moon vai tentar convencer junta a aceitar ajuda internacional

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou nesta quarta-feira que se reunirá com o chefe da junta militar em Mianmar (antiga Birmânia), onde tentará convencer os generais a permitirem a chegada da ajuda internacional para os 2,4 milhões de desabrigados após a passagem do ciclone Nargis.

AFP |

Ao desembarcar na Tailândia, Ban Ki-moon disse que se encontrará, por ocasião de uma visita excepcional com início previsto para quinta-feira em Yangun, com o número um de Mianmar, Than Shwe, que vem se recusando a conversar com o secretário-geral da ONU por telefone desde o início de maio.

"Depois de visitar as zonas afetadas pelo ciclone, me reunirei com altos dirigentes do governo, entre eles o general Than Shwe", declarou Ban em Bangcoc.

O secretário-geral da ONU, um sul-coreano, ficará em Mianmar até a noite de sexta-feira, quando voltará à Tailândia para outras reuniões previstas para sábado. Ele retornará a Yangun domingo para participar de uma conferência internacional para arrecadar fundos, organizada pela ONU e pelos 10 países do sudeste asiático.

A última viagem a Mianmar de um secretário-geral da ONU remonta à de U Thant, um birmanês, em julho de 1964.

Abalado por uma das piores catástrofes naturais da história recente, que deixou 133.600 mortos e desaparecidos, o regime militar birmanês reluta em permitir a entrada em seu país de voluntários e organizações humanitárias estrangeiras.

"As questões de ajuda e assistência em Mianmar não deveriam ser politizadas. Precisamos agora salvar vidas", sentenciou Ban Ki-moon, depois de ter avisado em Nova York que "o momento é crítico para Mianmar", onde a ONU "só conseguiu ter acesso a cerca de 25% das pessoas que precisam de ajuda".

Ban também quer "demonstrar sua simpatia pelo povo e pelo governo de Mianmar nestes tempos de crise".

Ainda não se sabe se o secretário-geral da ONU prevê um encontro com Aung San Suu Kyi, mas o partido da líder da oposição, a Liga Nacional pela Democracia, conclamou as Nações Unidas a desempenharem um papel mais importante na distribuição da ajuda humanitária.

Os generais birmaneses estão sob a pressão da comunidade internacional, que quer a permissão para uma ampla e coordenada operação de assistência, que poderia ajudar centenas de milhares de pessoas.

Dezenas de aviões estrangeiros pousaram em Yangun, mas navios americanos e franceses transportando milhares de toneladas de alimentos e roupas ainda estão aguardando a autorização da junta para descarregar.

"As condições impostas à ajuda humanitária transportada por navios de guerra e helicópteros militares são inaceitáveis para o povo birmanês. Podemos nos virar sozinhos", afirmou o jornal oficial New Light of Myanmar.

Desde que o ciclone Nargis arrasou o sul de Mianmar, nos dias 2 e 3 de maio, os Estados Unidos enviaram uma dezena de aviões de assistência, e o embaixador americano na Tailândia, Eric John, garantiu que esta ajuda vinha "sem condições".

Mianmar aceitou que a ajuda estrangeira fosse coordenada pela Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). O secretário-geral da Asean, o tailandês Surin Pitsuwan, explicou nesta quarta-feira ao primeiro-ministro birmanês Thein Sein como funcionará este mecanismo de coordenação.

A junta também autorizou o Programa Mundial de Alimentos (PAM) da ONU a encaminhar ajuda com nove helicópteros, frisou Ban ki-moon.

Mianmar parece preferir a ajuda dos asiáticos. Mais de 100 voluntários chineses, indianos e tailandeses têm liberdade para trabalhar no país.

"Mianmar tem muitos bons vizinhos. Os povos se unem em situações de emergência. De uma certa forma, conquistamos alguns sucessos em nossas operações de assistência e reconstrução", afirmou o New Light of Myanmar.

O regime negou as acusações de que não socorre a maioria de seus cidadãos, proferidas "por países ocidentais e traidores da nação".

A imprensa oficial denuncia constantemente os "colonizadores", referindo-se principalmente aos Estados Unidos e à Grã-Bretanha.

"Nosso país é abalado por complôs e intrigas que são bem mais graves do que o Nargis", finalizou o jornal.

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