Por Chris Buckley NANSAN, China (Reuters) - Novos combates eclodiram no nordeste de Mianmar no sábado, após dias de choques, e tropas chinesas vigiavam com atenção a fronteira entre os dois países depois de uma pessoa ter sido morta no lado chinês da divisa.

Dezenas de milhares de pessoas fugiram para a cidade fronteiriça de Nansan, na China, depois de choques em Kokang, em Mianmar, que aconteceram após o envio de tropas do governo de Mianmar.

Cidadãos de Mianmar abrigados em acampamentos de refugiados em Nansan descreveram dias de medo, saraivadas de tiros e disparos de canhões.

"A situação lá é de caos neste momento. É uma verdadeira guerra. A toda hora eles dizem que vão parar, mas então a coisa recomeça," falou Li Jiao, cidadã de Mianmar de etnia chinesa.

Li, que tem pouco mais de 20 anos, contou que fugiu para Nansan no sábado ao ouvir os sons de disparos cada vez mais perto de seu povoado. Também havia o que soava como disparos de canhões ou morteiros, disse ela.

A China exortou Mianmar, país governado por militares, a manter a estabilidade na região de fronteira e pediu que sejam tomadas outras medidas para proteger a integridade física e os direitos legais dos cidadãos chineses em Mianmar.

Em Nansan, o principal ponto de travessia para o Mianmar foi fechado, e um grupo de soldados chineses fazia a guarda atrás de pilhas de sacos de areia, para se protegerem. Alguns portavam armas.

"É estritamente proibido trazer armas ou munições para dentro do país," dizia uma faixa perto do ponto de travessia.

Num desfiladeiro entre colinas nas proximidades de Nansan, moradores de Kokang continuavam a atravessar a fronteira e entrar na China, no sábado, muitos carregando sacos de alimentos ou roupas.

Policiais chineses que vigiam o ponto de travessia nas montanhas disseram que o número de refugiados caiu em relação aos últimos dias. Mas os refugiados que chegaram na tarde de sábado disseram que a violência mais recente pode levar mais pessoas a entrarem na China, que montou acampamentos para recebê-las.

A China é um dos poucos países a dar apoio diplomático a Mianmar, frequentemente socorrendo-o quando o país é pressionado por governos ocidentais por questões como o encarceramento da líder oposicionista Aung San Suu Kyi.

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