Mianmar não está disposta a receber equipes de socorro, nem jornalistas, de países estrangeiros após a passagem do ciclone Nargis, anunciou o ministério birmanês das Relações Exteriores.

O governo afirma que apenas a ajuda material e financeira é bem-vinda.

"Atualmente, Mianmar dá prioridade à recepção de ajudas de emergência e realiza grandes esforços para transportá-los sem adiamento com seus próprios trabalhadores às zonas afetadas", afirma a chancelaria em um comunicado publicado no jornal oficial New Light of Myanmar.

"Mianmar não está disposta a receber equipes de busca e socorro, tampouco meios de comunicação, de países estrangeiros, mas aprecia enormemente a generosidade (...) da comunidade internacional", acrescenta.

"A esta altura, a melhor maneira para a comunidade internacional ajudar as vítimas é proporcionar auxílio como medicamentos, alimentos, roupas, geradores elétricos e materiais para os refúgios de emergência, assim como ajuda financeira", prossegue a nota.

As autoridades birmanesas impediram na quarta-feira a entrada no país de trabalhadores humanitários e jornalistas que estavam a bordo de um avião do Qatar com material de ajuda.

Segundo o último balanço oficial, o ciclone Nargis que arrasou no fim de semana passado o sul de Mianmar deixou quase 23.000 mortos e mais de 42.000 desaparecidos.

Porém, algumas estimativas chegam a citar a possibilidade de 100.000 mortos.

A ONU calcula em 1,5 milhão o número de pessoas que precisam de ajuda.

As Nações Unidas também anunciaram nesta sexta-feira que pedirão à comunidade internacional uma ajuda de seis meses para os birmaneses afetados pelo Nargis.

O valor ainda será estabelecido, segundo a porta-voz da Agência de Coordenação Humanitária da ONU, Elisabeth Byrs.

hla/fp

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