Mianmar aceita que Asean coordene a ajuda internacional

Mianmar aceitou nesta segunda-feira que a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) coordene a ajuda estrangeira destinada às vítimas do ciclone Nargis, anunciou o ministro das Relações Exteriores de Cingapura, George Yeo.

Redação com agências |

Durante una reunião extraordinária da Asean em Cingapura, duas semanas depois da passagem do Nargis, que deixou 134.000 mortos e desaparecidos segundo balanço oficial, Mianmar calculou em 10 bilhões de dólares os prejuízos provocados pelo ciclone.

O Nargis é um dos mais devastadores da história na Ásia. Nos ultimo 50 anos, apenas dois ciclones asiáticos superaram o Nargis em número de vítimas - em 1970, um ciclone matou 500 mil pessoas em Bangladesh e outro matou 143 mil em 1991, também em Bangladesh. O número pode aumentar. A ONU estima em 2,5 milhões o número de pessoas atingidas pelo ciclone.

"A assistência internacional dada a Mianmar através da Asean não terá medidas políticas", afirmou Yeo.

EFE/EPA
Atingidos por ciclone são estimados em 2,5 milhões
Atingidos por ciclone são estimados em 2,5 milhões
"Os ministros de Exteriores concordaram em estabelecer um mecanismo de coordenação dirigido pela Asean. Para começar, Mianmar autorizou o envio imediato de equipamentos médicos de todos os países-membros da Asean", detalhou Yeo.

A Asean abrange Mianmar, Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã.

O chefe da diplomacia birmanesa, Nyan Win - que apresentou, em seu país, o problema a seus colegas - avaliou em US$ 10 bilhões os danos causados pelo "Nargis".

'Começando'

O grupo regional asiático está servindo como intermediário entre Mianmar e agências internacionais. As agências têm criticado o governo do país, que bloqueou a entrada de apoio internacional para as vítimas do ciclone.

Antes do encontro na Asean, o ministro das Relações Exteriores da Malásia, Rais Yatim, disse que há pouco que a comunidade internacional possa fazer pelas vítimas sem o aval do governo de Mianmar.

No domingo, o enviado especial da Grã-Bretanha a Mianmar, Mark Malloch-Brown, disse que a operação de ajuda internacional às vítimas do ciclone Nargis "está agora começando a funcionar".

Malloch-Brown disse que, apesar de apenas 25% das vítimas terem recebido ajuda necessária, ele está observando mais ajuda americana e britânica sendo utilizada no país.

Representante da ONU está em Mianmar

O subsecretário de assuntos humanitários da ONU, John Holmes, chegou no domingo em Yangun para tentar estender as operações de auxílio internacional em Mianmar, duas semanas após a passagem do ciclone Nargis, segundo o representante da ONU em Yangun, Dan Baker.

Holmes, que ficará no país até a quarta-feira, irá na segunda à região do delta do Irrawaddy (sudoeste), a mais afetada pelo ciclone que deixou mais de 133.600 mortos e desaparecidos, assim como dois milhos de atingidos, indicou à imprensa Baker.

Ban Ki-moon em Mianmar

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, irá visitar Mianmar essa semana para discutir o envio de ajuda internacional ao atingidos pelo ciclone Nargis, informou um porta-voz neste domingo. Ban irá deixar Nova York na terça-feira e chegará em Mianmar na quarta ou quinta.

Chefe da Junta visita áreas devastadas

O chefe da Junta Militar de Mianmar, general Than Shwe viajou somente no domingo às áreas devastadas pelo ciclone "Nargis", quase três semanas depois que a tempestade assolou o delta do rio Irrawaddy.

Than Shwe visitou campos de refugiados em dois distritos de Yangun, Hlaing Thar Yar e Dagon, onde distribuiu material de emergência e conversou com algumas vítimas, informou neste domingo o diário oficial "New Light of Myanmar", que o regime usa para divulgar suas mensagens.

O periódico mostrou imagens do líder birmanês cumprimentando bebês e recebendo mostras de admiração e respeito dos desabrigados, no habitual exercício de propaganda orquestrado pelo governo nos meios de comunicação.

Luto de três dias

A junta militar birmanesa decretou três dias de luto nacional - de terça-feira a quinta-feira -, 17 dias depois da passagem do ciclone Nargis, que causou pelo menos 133.000 vítimas entre mortos e desaparecidos, anunciou a televisão estatal.

As bandeiras serão hasteadas a meio pau a partir de terça-feira em memória das vítimas de um dos mais graves desastres naturais em Mianmar nos últimos anos.

O anúncio da junta militar birmanesa aconteceu depois que a China, afetada na semana passada por um terremoto que deixou pelo menos 71.000 mortos, desaparecidos e soterrados, declarou três dias de luto nacional no domingo.


Entenda mais:

 Clique na imagem e veja o infográfico sobre a formação de ciclones

( Com informações da AFP e BBC )

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