Mia Farrow faz greve de fome por civis de Darfur

Nova York, 28 abr (EFE).- A atriz americana Mia Farrow, embaixadora da Boa Vontade da ONU, iniciou uma greve de fome para prestar solidariedade com a população da região de Darfur, no oeste do Sudão.

EFE |

Farrow completou hoje o primeiro dos 21 dias de jejum, durante os quais beberá apenas água. Segundo ela, a medida demonstra sua "indignação" pela ausência de uma maior mobilização internacional para ajudar as vítimas do conflito no país africano.

"Nunca iniciei algo parecido, e por isso não tenho ideia do que esperar. Embora tenha proposto três semanas, não sei quanto tempo poderei agüentar", comentou a atriz em seu site.

A embaixadora da Boa Vontade da ONU se disse surpresa porque já se passaram semanas desde que o Sudão ordenou a expulsão de 13 organizações humanitárias de Darfur e a comunidade internacional não interveio com determinação para remediar a situação de milhões de vítimas do conflito.

"Semanas passam e a informação que chega dos campos é que o povo está sofrendo, as bombas de água estão estragadas porque não há ninguém para consertar, as latrinas estão transbordando, as provisões de comida caíram e não há assistência médica", apontou.

Farrow pediu à opinião pública de seu país que aproveite a marca dos primeiros cem dias da gestão do presidente Barack Obama para pressionar a Casa Branca.

A atriz pediu ao Governo americano que redobre os esforços para levar mais ajuda humanitária à região, revise sua política com o Sudão e estude com outros países a possibilidade de punir o país pela situação.

"Apesar de o mundo não ter atuado decisivamente nos últimos seis anos para proteger a população de Darfur, parecia que a expulsão das agências humanitárias, o mesmo que retirar a salvação de quatro milhões de pessoas, provocaria uma reação", comentou a embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas.

Cartum decretou a expulsão das ONGs internacionais e anulou a permissão de outras três entidades nacionais depois de o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitir uma ordem de detenção contra o presidente sudanês, Omar al-Bashir, por suposto envolvimento em crimes de guerra e de lesa-humanidade em Darfur.

Entre os grupos expulsos estão Save the Children (divisões do Reino Unido e Estados Unidos), Médicos Sem Fronteiras (unidades da França e Holanda), Care International, Oxfam e International Rescue Committee.

A situação em Darfur piorou quando os grupos rebeldes da região pegaram em armas para protestar contra a pobreza e marginalização da área, que faz fronteira com o Chade. Eles se consideram discriminados pelo Governo.

Desde então, cerca de 300 mil pessoas morreram. Outros dois milhões e meio se viram forçados a deixar suas casas, segundo as Nações Unidas. EFE jju/dp

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