Genebra, 15 dez (EFE) - A atriz americana e embaixadora de boa vontade do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) Mia Farrow denunciou hoje a brutalidade dos abusos sexuais em massa registrados na República Democrática do Congo (RDC).

"É mais que uma arma de guerra, é o uso cotidiano, em massa, constante e indiscriminado do abuso sexual simplesmente porque se pode, porque não há barreiras nem limites", explicou Farrow em entrevista coletiva em Genebra.

A artista acaba de voltar de uma viagem "intensa" de três dias à RDC, onde ouviu os relatos das vítimas dos choques entre as forças governamentais e os rebeldes em Kivu Norte.

"Escutei meninas de dez anos me dizendo como foram violentadas, de meninas que são violentadas pelos próprios soldados, de grávidas que perderam os bebês e seus maridos as abandonaram precisamente por isso, chegaram há violentar até uma criança de um ano", denunciou.

A atriz contou também o drama de famílias "que tiveram que fugir até dez vezes" por causa dos combates.

Segundo os dados do Unicef, cerca de 300 mil pessoas foram deslocadas pelo conflito desde agosto, quando os combates ganharam nova força, e mais de um milhão de cidadãos de Kivu Norte tiveram que abandonar seus lares.

"A situação é desesperadora", afirmou a estrela.

Farrow não quis fazer comentários sobre os soldados da ONU na RDC, cujo destino e eventual reforço são debatidos hoje no Conselho de Segurança da organização.

No entanto, afirmou que a população "precisa de proteção, e paz, mas sobretudo proteção", por isso fez um apelo à comunidade internacional para que atue para deter os combates e, sobretudo, o sofrimento da população. EFE mh/db

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