México volta ao normal; nova gripe avança na Europa

Por Alistair Bell CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - Os mexicanos voltaram à vida normal na quarta-feira, após cinco dias de paralisação devido à gripe provocada pelo vírus H1N1, que agora se espalha pela Europa, com novas contaminações na Polônia e na Suécia.

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O México elevou de 29 para 42 o total de mortos confirmados pela doença, mas o governo diz que o pior da epidemia já passou, e por isso atenuou as restrições ao funcionamento de atividades públicas e comerciais.

Com a confirmação dos casos na Polônia e na Suécia, já são 24 países afetados, com mais de 2.000 vítimas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de autoridades nacionais.

Fora do México, as únicas duas mortes foram registradas no Texas (sul dos EUA). O Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) diz que os Estados Unidos têm 642 casos confirmados, em 44 Estados.

O novo vírus parece agir como uma gripe sazonal comum, mas tem confundido os médicos por ter matado também pacientes jovens e aparentemente saudáveis no México. Em geral, a gripe é mais letal em crianças, idosos e pessoas com problemas pregressos de saúde.

O primeiro caso na Polônia foi de uma mulher de 58 anos, que não está em estado grave.

Na Suécia, a primeira vítima é um indivíduo que esteve recentemente nos EUA.

A OMS está monitorando focos da infecção na Grã-Bretanha, Espanha, Itália e Alemanha. Se houver sinais de transmissão sustentada dentro de comunidades na Europa - como já há na América do Norte -, a OMS pode declarar situação de pandemia.

O temor despertado por tal situação gera tensões comerciais e diplomáticas, por causa das restrições adotadas por alguns países contra cidadãos e produtos mexicanos.

O presidente do México, Felipe Calderón, acusou esses países, entre os quais a China, de "ignorância". O caso mais recente foi o do miserável Haiti, que rejeitou um navio mexicano que transportava milho, trigo, feijão e remédios.

Cidadãos mexicanos colocados de quarentena na China chegaram ao México em um voo fretado pelo governo, que acusou Pequim de xenofobia e discriminação.

A crise provocada pela gripe pode fazer o PIB mexicano cair entre 0,3 e 0,5 ponto percentual, disse na terça-feira o ministro das Finanças mexicano, Agustín Carstens.

MÉXICO NORMALIZA-SE

Os congestionamentos voltaram às ruas da Cidade do México, onde, na volta ao trabalho, seguranças passam detectores de calor em funcionários de escritórios, para tentar localizar pessoas com febre.

"Nunca descansei tantos dias. Foram como férias forçadas. Ainda está estranho, porque não há muitos clientes", disse a cozinheira Rosa Ávila, 42 anos.

Em visita a um hospital no Estado de Michoacán, Calderón disse que "não é hora de cantar vitória e dizer 'acabou'".

Enquanto os especialistas se empenham em aprender mais sobre o vírus, pesquisadores canadenses disseram que uma segunda cepa, o H3N2, ligado à gripe sazonal comum, pode ter sofrido uma mutação e poderia estar complicando o quadro no México.

A América do Norte continua concentrando a maioria dos casos. O Texas registrou duas mortes: um bebê mexicano, na semana passada, e uma mulher de 30 anos, que tinha problemas crônicos de saúde, nesta semana.

Os 642 casos confirmados nos EUA representam um aumento de quase 60 por cento em comparação a terça-feira.

"Esses números vão subir, nós antevemos, e infelizmente deve haver mais internações e mais mortes", disse a secretária de Saúde dos EUA, Kathleen Sebelius.

Especialistas da OMS vão se reunir na próxima semana para avaliar se os laboratórios farmacêuticos deveriam substituir a produção de medicamentos contra a gripe sazonal pelos voltados para a gripe pandêmica do H1N1.

(Reportagem adicional de Louise Egan, Daniel Trotta, Miguel Angel Gutierrez no México, Maggie Fox em Washington, Laura MacInnis, Jonathan Lynn em Genebra, Tan Ee Lyn em Hong Kong)

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