México vai às urnas em eleição marcada por violência

Assassinatos atribuídos ao crime organizado marcaram a campanha para as eleições que no domingo elegerão 12 governadores

AFP |

Em meio ao temor pelo assassinato de um candidato ao governo de Tamaulipas, no nordeste do México, os mexicanos vão às urnas neste domingo para eleger quase metade dos governadores do país.

O homicídio de segunda-feira do candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI) Rodolfo Torre e de mais quatro pessoas em uma emboscada foi precedido em maio pela morte de um candidato a prefeito e de seu filho, militantes do Partido Ação Nacional (PAN), ao qual pertence o presidente Felipe Calderón.

Esses assassinatos, atribuídos ao crime organizado, marcaram a campanha para as eleições que no domingo elegerão os deputados em 14 estados, governadores em 12 deles, e prefeitos em 1.500 localidades. "Há muita vontade de votar, mas há temor. Verei como está a situação e decido se irei votar", disse um servidor que não quis identificar-se em Ciudad Victoria, capital de Tamaulipas.

Em torno de 562 autoridades eleitorais renunciaram a seus cargos nas cidades de Altamira, Tampico e Ciudad Madero, localizadas na costa do Golfo do México em Tamaulipas, por temor à violência, de acordo com dados do instituto eleitoral estatal, publicados no jornal Reforma.

"Estamos um pouco nervosos, mas temos que sair para votar porque é nossa única arma para escolher o futuro", afirmou, por sua vez, Pedro Esparza, empregado de um salão de beleza de Nuevo Laredo, fronteira com os Estados Unidos.

Em Reynosa, também na fronteira americana, mais de 140 funcionários de centros de votação abandonaram sua participação nas eleições, afirmou Francisco Javier Tejeda, presidente do conselho municipal eleitoral.

Em pequenas localidades do interior de Tamaulipas, Estado governado pelo PRI, "curiosamente às vezes há muita votação, porque os obrigam a votar", afirmou em Ciudad Victoria Maximiliano Pequeño, representante do Instituto Federal Eleitoral.

Por outro lado, no Estado de Sinaloa (noroeste), onde também se renovará o governo, autoridades eleitorais avaliam suprimir centros de votação depois que no sábado a sede de campanha do candidato do PRI ao governo, Jesús Vizcarra, foi atacado com duas bombas caseiras, sem deixar vítimas, afirmou Alma Salazar, porta-voz do conselho eleitoral estatal. Em 18 de junho passado foram registrados dois ataques semelhantes em sedes de partidos políticos em Sinaloa.

O ministério do Interior estabeleceu nos últimos dias protocolos com os governos estatais para reforçar a segurança dos candidatos e líderes de partidos, assim como garantir a segurança e o acesso dos cidadãos aos postos de votação.

    Leia tudo sobre: Méxicoviolênciaeleiçõestráfico

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG