México tenta neutralizar o contágio da gripe suína, mas a ameaça se amplia

A ameaça de gripe suína ampliava-se neste domingo, com novos casos de suspeitos detectados através do mundo, apesar do reforço das medidas de precaução no México, onde foram anunciados cinco novos casos de morte.

AFP |

Os Estados Unidos, que registraram 20 casos até agora, sem nenhum óbito, declararam domingo "emergência sanitária", anunciando vigilância sobre as pessoas nas fronteiras, provenientes de países atingidos pelo vírus.

No Canadá, foram confirmados quatro casos.

Vários países, principalmente Nova Zelândia, França, Israel e Espanha anunciaram casos suspeitos.

No México, o número de mortos pode ser superior a 80 (81 numa primeira estimativa), com 20 casos confirmados e 1.324 doentes em tratamento.

O México já tem à disposição um fundo de US$ 450 milhões para enfrentar a epidemia de gripe suína.

"Temos recursos disponíveis no Sistema de Proteção Social em Saúde (Gastos Catastróficos) que passam de 6 bilhões de pesos (US$ 450 milhões) hoje", informou um comunicado da SHCP.

A Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, está acompanhando de muito perto a evolução do vírus da gripe suína no México.

"A Comissão está em contato direto e estreito com as autoridades americanas, com a Organização Mundial da Saúde (OMS), com os Estados europeus e com o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC)", informou uma porta-voz da Comissão encarregada da Saúde.

As declarações foram feitas antes de a ministra espanhola da Saúde, Trinidad Jiménez, ter anunciado que três espanhóis voltaram do México com sintomas de gripe, tendo sido isolados à espera dos resultados de seus exames.

A França anunciou ter dois casos suspeitos de infecção com o vírus da gripe suína.

Ainda no México, um decreto presidencial endureceu as medidas de isolamento de pacientes, de controle de viajantes, bagagens e mercadorias, apelando a população para evitar reuniões públicas. A Igreja Católica cancelou as missas de domingo na capital, e o cardeal do México celebrou na catedral uma cerimônia a portas fechadas, transmitida pela televisão.

Segundo o prefeito Marcelo Ebrard, a capital está em "alerta máximo".

Após o fechamento de escolas e universidades (até 6 de maio), teatros e museus, Ebrard anunciou o dos dois grandes zoológicos municipais.

A prefeitura também se assegura do fechamento dos bares noturnos e discotecas, e os tribunais do México não vão funcionar durante a semana.

As duas partidas de futebol de primeira divisão serão disputadas com os portões dos estádios fechados.

O aeroporto da capital opera normalmente, mas com a presença de equipes médicas de plantão para se encarregar dos passageiros, submetidos a um questionário na chegada e na partida.

Na Ásia, vários países começaram a tomar medidas de precaução: o Japão reforçou os controles nos aeroportos, com a distribuição de máscaras e termômetros, para detectar sintomas eventuais de febre entre os passageiros.

Hong Kong e China estudam medidas de inspeção e de quarentena.

A Rússia proibiu neste domingo a importação de carne e seus derivados do México e de três estados americanos, assim como de carne de porco e derivados da América Central, Cuba, República Dominicana, Panamá e Colômbia, como medida de precaução diante do foco de gripe suína.

"A Rússia proibiu a partir de 26 de abril as importações de carne do México e de Texas, Califórnia e Kansas", declarou à AFP Nicolas Vlassof, chefe dos serviços veterinários russos.

A Rússia também proibiu as importações de carne de porto de Guatemala, Honduras, República Dominicana, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Nicarágua, Panamá e El Salvador que saíram do país a partir de 21 de abril.

A Rússia impôs as mesmas medidas para a carne de porco procedente dos estados americanos de Alabama, Arizona, Geórgia, Luisiana, Novo México, Oklahoma, Flórida e Arkansas, todos eles próximos da fronteira com o México.

Em declarações ao canal de televisão, o chefe dos serviços sanitários russos declarou que esta é uma primeira medida adequada para tentar impedir a propagação da doença.

Vários países latino-americanos decretaram alerta sanitário ou anunciaram medidas preventivas.

"Desde 13 de abril, o México registrou 81 mortes provavelmente ligadas ao vírus da gripe suína, das quais apenas 20 foram comprovadas", declarou o ministro da Saúde, José Angel Córdova.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) alertou para o possível desencadeamento de uma pandemia da gripe suína.

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