México respira melhor,mas casos de gripe sobem no mundo

Por Alistair Bell CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O México afirmou nesta segunda-feira que o país está vencendo a batalha contra uma nova e mortal forma de gripe, já que o número de novos casos diminuiu, mas o país permanece praticamente parado e autoridades globais de saúde alertaram contra a complacência.

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Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse que as boas notícias vindas do México, onde a gripe H1N1 começou, devem ser tratadas com cautela.

"Os vírus da gripe são muito imprevisíveis, muito enganosos... Não devemos ficar excessivamente confiantes. Não se deve dar ao (vírus) H1N1 a possibilidade de se misturar com outros vírus", disse ela.

Mais de 1.000 casos da doença que ficou conhecida como gripe suína foram confirmados pela OMS em 20 países, mas o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse que a agência não planeja elevar seu alerta de pandemia para o nível máximo se o atual surto continuar como está.

Antes de aumentar para o nível 6, a OMS teria que confirmar a disseminação do vírus dentro de comunidades na Europa ou Ásia. Na semana passada, a OMS elevou seu nível de alerta de pandemia de 3 para 5, por causa da disseminação significativa da gripe H1N1 no México e nos EUA.

Vinte países suspenderam a importação de suínos e outros tipos de carnes, de acordo com documentos da OMS obtidos pela Reuters. Apesar de o novo vírus H1N1 não ser transmitido por meio de alimentos, as preocupações de que a doença possa ser propagada através de produtos animais provocaram restrições de países a animais vivos, carnes, rações e sêmen animal de países que registraram casos, de acordo com o relatório obtido pela Reuters nesta segunda-feira.

ALÍVIO NO MÉXICO

Empresas e órgãos públicos permaneceram fechados nesta segunda-feira no México, como parte de um recesso nacional de cinco dias destinado a tentar conter a transmissão. No domingo, o Ministério da Saúde anunciou que o pior da epidemia já passou, e especialistas disseram que o H1N1 pode não ser mais grave do que uma gripe normal.

"O vírus entrou numa fase de estabilização. Os casos estão começando a diminuir", disse o presidente Felipe Calderón no domingo, acrescentando que o país vai começar a se normalizar depois da paralisação de escolas, escritórios, restaurantes e igrejas.

"Nosso objetivo é retornar à normalidade o mais rápido possível, mas o que desejo é fazê-lo em condições seguras", afirmou.

Após dias de um alarme que manteve as ruas estranhamente vazias, a Cidade do México parece mais relaxada, e algumas pessoas se atrevem a sair para correr ou passear de bicicleta. Muita gente já deixou de usar as máscaras cirúrgicas que se tornaram quase item obrigatório na semana passada.

O México decidiu enviar um avião para recolher cidadãos seus retidos na China, cujo governo decidiu isolar mexicanos, doentes ou não, em hotéis e outros lugares. O fato provocou um incidente diplomático entre os dois países.

Uma fonte da embaixada mexicana em Pequim disse que as autoridades locais mantêm em quarentena mais de 70 executivos e turistas mexicanos, depois que alguns apresentaram sintomas de gripe. A China rejeitou as acusações de discriminação.

EXPANSÃO NOS EUA

Nos EUA, a gripe já chegou a 30 Estados, com 226 vítimas, segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC). Ela parece afetar principalmente os mais jovens, pois há poucos casos em pessoas com mais de 50 anos.

Richard Besser, diretor interino do CDC, disse haver "sinais encorajadores" de que o novo vírus não seria mais grave do que uma gripe comum, mas ele acha que a doença continuará provocando um impacto. "Ainda não nos livramos", disse.

O governo disse esperar que dentro de três meses fique pronta uma vacina contra o novo vírus.

Apesar de ter sido inicialmente chamada de gripe suína, não há casos de transmissão de porcos para humanos. No entanto, o Canadá localizou pela primeira vez a doença nesses animais, o que levou a OMS a recomendar mais vigilância médica e veterinária.

Na Turquia, um hospital negou relatos da imprensa de que um dos seus pacientes teria morrido devido à doença.

(Reportagem adicional de Pascal Fletcher na Cidade do México; Laura MacInnis em Genebra e Ben Harding em Madri)

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