México respira melhor, mas pandemia de gripe continua provável

Por Alistair Bell CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O México afirmou nesta segunda-feira que está vencendo a batalha contra uma nova e mortal forma de gripe, já que o número de novos casos diminuiu, mas o país permanece praticamente parado e autoridades globais de saúde sinalizaram que uma pandemia continua sendo provável.

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Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou contra a complacência por causa das boas notícias vindas do México.

"Os vírus da gripe são muito imprevisíveis, muito enganosos... Não devemos ficar excessivamente confiantes. Não se deve dar ao (vírus) H1N1 a possibilidade de se misturar com outros vírus", disse ela.

A OMS pode elevar a qualquer momento o seu nível de alerta de 5 para 6, o topo da escala, o que indicaria uma situação de pandemia (epidemia global) da doença que ficou conhecida como gripe suína. No entanto, isso reflete apenas a forma de difusão do vírus, e não os seus efeitos.

"O nível 6 não significa, de forma alguma, que estamos enfrentando o fim do mundo. É importante deixar isso claro, porque, se não, quando anunciarmos o nível 6 isso irá causar um pânico desnecessário", disse Chan.

Na semana passada, a OMS elevou seu nível de alerta de pandemia de 3 para 5, por causa da disseminação significativa da gripe H1N1 no México e nos EUA. Para chegar ao nível 6, seria preciso que houvesse transmissão dentro de comunidades em outras regiões.

A OMS disse na segunda-feira que seus laboratórios já confirmaram 985 infecções em 20 países. O número é inferior ao das notificações nacionais, mas é considerado cientificamente mais seguro.

Os exames detectaram 590 casos no México, dos quais 25 pessoas morreram -- únicas mortes no mundo todo, excetuando um bebê mexicano que estava em visita aos EUA.

ALÍVIO NO MÉXICO

Empresas e órgãos públicos permaneceram fechados nesta segunda-feira no México, como parte de um recesso nacional de cinco dias destinado a tentar conter a transmissão. No domingo, o Ministério da Saúde anunciou que o pior da epidemia já passou, e especialistas disseram que o H1N1 pode não ser mais grave do que uma gripe normal.

"O vírus entrou numa fase de estabilização. Os casos estão começando a diminuir", disse o presidente Felipe Calderón no domingo, acrescentando que o país vai começar a se normalizar depois da paralisação de escolas, escritórios, restaurantes e igrejas.

"Nosso objetivo é retornar à normalidade o mais rápido possível, mas o que desejo é fazê-lo em condições seguras", afirmou.

Após dias de um alarme que manteve as ruas estranhamente vazias, a Cidade do México parece mais relaxada, e algumas pessoas se atrevem a sair para correr ou passear de bicicleta. Muita gente já deixou de usar as máscaras cirúrgicas que se tornaram quase item obrigatório na semana passada.

O México decidiu enviar um avião para recolher cidadãos seus retidos na China, cujo governo decidiu isolar mexicanos, doentes ou não, em hotéis e outros lugares. O fato provocou um incidente diplomático entre os dois países.

Uma fonte da embaixada mexicana em Pequim disse que as autoridades locais mantêm em quarentena mais de 70 executivos e turistas mexicanos, depois que alguns apresentaram sintomas de gripe. A China rejeitou as acusações de discriminação.

EXPANSÃO NOS EUA

Nos EUA, a gripe já chegou a 30 Estados, com 226 vítimas, segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC). Ela parece afetar principalmente os mais jovens, pois há poucos casos em pessoas com mais de 50 anos.

Richard Besser, diretor interino do CDC, disse haver "sinais encorajadores" de que o novo vírus não seria mais grave do que uma gripe comum, mas ele acha que a doença continuará provocando um impacto. "Ainda não nos livramos", disse.

O governo disse esperar que dentro de três meses fique pronta uma vacina contra o novo vírus.

Apesar de ter sido inicialmente chamada de gripe suína, não há casos de transmissão de porcos para humanos. No entanto, o Canadá localizou pela primeira vez a doença nesses animais, o que levou a OMS a recomendar mais vigilância médica e veterinária.

Na Turquia, um hospital negou relatos da imprensa de que um dos seus pacientes teria morrido devido à doença.

(Reportagem adicional de Pascal Fletcher na Cidade do México; Laura MacInnis em Genebra e Ben Harding em Madri)

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