Num momento em que os casos de contágio por gripe suína no mundo superaram 1.500 e as mortes chegam a 42 pessoas, no México, surgem os estereótipos que identificam o novo vírus como mexicano, o que vem irritando as autoridades desse país, a começar pelo presidente Felipe Calderón.

A situação mais difícil foi vivida pela maioria dos 136 mexicanos que foram repatriados nesta quarta-feira da China depois de terem sido isolados em várias cidades do país, alguns dos quais denunciaram que haviam sido vítimas de discriminação.

"No meu caso houve discriminação e humilhação, pela forma com que nos desembarcaram do avião e com que nos transferiram sem nos dizer nada, sem que ninguém estivesse doente nem com febre", disse Myrna Berlanga, um dos cinco passageiros que participaram de uma entrevista coletiva à imprensa depois de chegarem ao México.

Calderón havia manifestado, dias antes, a "mais enérgica rejeição às medidas vexatórias ou discriminatórias adotadas por vários países contra os mexicanos".

O uso do termo "gripe mexicana" pela imprensa europeia, a venda de camisas nas quais a bandeira mexicana aparece estampada em um porco, o cancelamento de voos para o México e a suspensão das importações de produtos suínos mexicanos desencadearam várias manifestações de descontentamento neste país.

Em resposta às medidas chinesas, a chanceler Patricia Espinosa exortou os mexicanos a não viajar para o gigante asiático e criticou os países latino-americanos que cancelaram seus voos ao México ou que submetem os viajantes mexicanos a rigorosos controles.

Uma das reações mais enérgicas foi a do prefeito da Cidade do México, Marcelo Ebrard, que vê uma forma de "racismo" nas expressões que identificam a gripe suína como um mal mexicano.

"Quando há medo, afloram o racismo, a agressão ou a exclusão, isto é a pior coisa que pode haver. Quando foi registrada a gripe aviária na Ásia, nós não nos dedicamos a perseguir as pessoas de origem asiática", disse na sexta-feira o prefeito, visivelmente incomodado.

No âmbito comercial, o México exigiu na Organização Mundial do Comércio que Rússia, China, Equador e El Salvador expliquem com "base científica" a suspensão das importações de carne de porco mexicana, quando há evidências científicas de que o contágio ocorre de humano para humano.

sem/dm/sd

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.