México quer metas de emissão de CO2 para país em desenvolvimento

Por Axel Bugge LONDRES (Reuters) - Os países em desenvolvimento precisam adotar metas para a redução das emissões de gases do efeito estufa, de modo a também fazerem sua parte no combate ao aquecimento global, disse na quarta-feira o presidente do México, Felipe Calderón.

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Os países em desenvolvimento - até agora isentos de metas de emissões - precisam ajudar a resolver o problema mais premente do mundo, o aquecimento global, e parar de culpar os países ricos por causá-lo, disse Calderón em discurso no British Council.

"Falar como nação em desenvolvimento é difícil para mim, porque outros líderes de nações em desenvolvimento dizem que as nações industrializadas provocaram o problema e têm dinheiro suficiente para resolvê-lo. Precisamos mudar esse ponto de vista", disse ele.

A declaração ecoa comentários semelhantes feitos em março pelo ministro brasileiro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e pode ter repercussões na negociação de um novo tratado climático da

ONU.

A expectativa geral é de que os países em desenvolvimento não terão metas a cumprir no novo tratado, a ser aprovado em dezembro em Copenhague, para entrar em vigor depois de 2012 em substituição ao Protocolo de Kyoto.

Calderón participa na quinta-feira em Londres da cúpula do G20, que deve incluir um compromisso de seus líderes de assinar o novo tratado climático neste ano.

Ele afirmou que os países em desenvolvimento estão "corretos de certa forma" em resistir às metas de redução das emissões, mas que "todos querem colaborar para consertar o problema da mudança climática".

"Há duas coisas que ameaçam a própria existência da humanidade: a lacuna entre homem e natureza e a lacuna entre norte e sul, entre ricos e pobres", afirmou.

Ele admitiu, porém, que o mundo carece de instrumentos para cortar as emissões de gases do efeito estufa.

"Precisamos perceber que os instrumentos que Kyoto criou não foram úteis para os nossos propósitos. Os instrumentos corretos são os incentivos econômicos corretos para os países, porque o dinheiro é o melhor incentivo para qualquer um."

Ele propôs a criação de um "fundo verde" que poderia ajudar os países a financiar programas destinados a melhorar a segurança energética. Cada país contribuiria segundo sua capacidade financeira, de modo análogo às quotas pagas à ONU e ao FMI. "Todo e qualquer país deve contribuir para criar um fundo sob o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas", afirmou.

O presidente acrescentou que o México almeja que até 2012 um quarto da energia usada no país venha de fontes renováveis. O país deve ampliar o uso da energia eólica, e Calderón disse que a empresa alemã Q-Cells cogita investir até 3 bilhões de dólares para construir uma fábrica de células de energia solar no México.

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