México prende irmão de prefeito suspeito de ataque em cassino

Jonás Larrazabal foi detido depois de aparecer em vídeos nos quais recebe dinheiro de funcionários de três cassinos

iG São Paulo |

AFP
O presidente Felipe Calderón deu um discurso no Museu de Antropologia na Cidade do México
Jonás Larrazabal, irmão do prefeito de Monterrey, foi detido nesta sexta-feira, suspeito de envolvimento com as extorsões a cassinos no México. Sua prisão ocorre em meio às investigações de um incêndio criminoso contra um centro de apostas na cidade que deixou 52 mortos na semana passada.

O prefeito Fernando Larrazabal fez um pedido na última quinta-feira à promotoria para que o conteúdo dos vídeos de cassinos, nos quais Jonás aparece, fossem investigados e anunciou que seu irmão se apresentou às autoridades judiciais para contar sua versão.

O jornal Reforma divulgou partes desses vídeos em seu site e, em uma delas, Jonás aparece recebendo pagamento em três cassinos diferentes nos últimos três meses. Uma outra gravação mostra um grupo armado invadindo um estabelecimento em maio e destruindo suas instalações cinco dias antes de uma visita de Larrazabal.

Apesar das imagens, tanto o prefeito de Monterrey quanto seu irmão negaram as acusações. Para o advogado de Jonás, Jesús Martinez, seu cliente foi detido de forma arbitrária. "É uma violação de seus direitos, e, sem dúvida, vamos apresentar uma queixa, porque as acusações carecem de fundamento", afirmou. Martínez sustenta que, de acordo com Larrazabal, o dinheiro recebido é fruto da venda de queijos e bebidas para os cassinos com que negocia.

Essas revelações fizeram com que muitos pedissem a renúncia do prefeito, que pertence ao Partido de Ação Nacional (PAN), do presidente Felipe Calderón.

Na sexta-feira passada, o Cassino Royale foi incendiado por pistoleiros do cartel de Los Zetas com centenas de apostadores em seu interior. Esse atentado foi considerado o pior do tipo no México. As autoridades prenderam seis envolvidos, entre eles, um policial que, pelos vídeos, foi visto em um dos veículos dos criminosos. Segundo os cinco primeiros presos, eles teriam recebido ordens de queimar o cassino, porque os donos não cumpriram com os pagamentos de uma extorsão.

Ante à luta contra os carteis, que já deixou mais de 41 mil mortos desde dezembro de 2006, Calderón saiu em defesa de sua repressão a esses grupos, dizendo que o conflito é a única forma de vencer o "câncer" que ataca o país. Nesta sexta, o presidente dedicou mais da metade de seu discurso anual sobre o estado da nação para rebater as críticas à ofensiva apoiada pelo Exército. "A única maneira de acabar de fato com esse câncer é preservar essa estratégia", disse ele durante uma hora e meia de pronunciamento. "Vamos derrotá-los."

A estratégia militar de Calderón, que tem cerca de 50 mil soldados nas ruas contra o crime organizado, foi considerada contraproducente pela oposição. Organizações civis nacionais e internacionais como Anistia Internacional ou Human Rights Watch denunciam que os oficiais cometeram graves violações aos direitos humanos no contexto da luta antidrogas.

"Se não tivéssemos feito nada... o país estaria completamente dominado pelos cartéis, a criminalidade teria crescido ao ponto de que as instituições do Estado teriam cessado de trabalho, deixando-as à disposição deles", acrescentou o presidente.

O surto de violência no México tem afugentado investidores estrangeiros e prejudica o apoio ao PAN, que enfrenta cada vez mais dificuldades para garantir a reeleição presidencial em julho de 2012.

Com AFP, EFE e Reuters

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