México prende envolvido em morte de funcionários dos EUA

Chefe de cartel diz que mandou matar americana por supor que ela "favorecia" grupo rival; México realiza eleições no domingo

iG São Paulo |

A Polícia Federal (PF) mexicana prendeu Jesús Ernesto Chávez Castillo, de 41 anos, acusado de participar do assassinato de três pessoas vinculadas ao consulado dos EUA em Ciudad Juárez, duas delas americanas, informaram nesta sexta-feira fontes oficiais.

Castillo cometia sequestros, extorsões e distribuía drogas em Ciudad Juárez (norte), informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) em comunicado. Em 13 de março, foram assassinados no centro de Ciudad Juárez Lesley Ann Enriquez, uma empregada do consulado americano, e seu marido, Arthur Redelfs, um oficial da polícia do Texas.

Segundo a SSP, Castillo encarregou-se "da logística e de fornecer as armas a um grupo de homicidas" que assassinou as vítimas. A captura do suspeito aconteceu na noite de quinta-feira no conjunto residencial Três Torres, em Ciudad Juárez.

De acordo com as autoridades mexicanas, Castillo confessou ter mandado matar Lesley porque supunha que ela "favorecia" um grupo rival.

Castillo esteve cinco anos em uma prisão de Louisiana (EUA) por narcotráfico e também passou algum tempo em uma prisão do México, depois que foi detido em abril de 2008. Juntamente com ele foram detidos seis homens envolvidos em uma série de sequestros e homicídios.

O preso também admitiu responsabilidade no massacre de 15 jovens em janeiro, sempre em Cidade Juárez. As vítimas haviam sido confundidas "com adversários de um outro bando", disse o chefe do setor antidrogas do ministério da Segurança, Eduardo Ramon Pequeno, durante entrevista à imprensa.

Ele foi apresentado como um dos chefãos dos "Aztecas", que dominam o cartez "de Juárez", que seria uma das maiores organizações criminosas do México e da América Latina. Mais de 2,6 mil mortes com a assinatura do grupo foram registradas em 2009.

Cidade de Juarez, onde o cartel "de Sinaloa" tenta destronar o "de Juarez", é vista como o epicentro da guerra entre traficantes de drogas para o controle do tráfico e das exportações para os EUA, primeiro comprador mundial de cocaína.

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Cartéis de drogas do México contornam a ofensiva do Estado e expandem atividade por meio de alianças
Eleições de domingo

O México renova neste domingo o governo de quase metade dos Estados, numa eleição marcada pelas mortes atribuídas aos cartéis de droga e que ocorre a dois anos de uma disputa presidencial em que há grande risco para o atual presidente, Felipe Calderón.

A eleição dos governadores de 12 dos 31 estados do país constitui um teste para Calderón e seu Partido da Ação Nacional (PAN, conservador), já derrotados nas legislativas de 2009 pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI, centro-esquerda), que fez seu grande retorno.

O PRI, que ficou no poder de 1928 a dezembro de 2000 e possui 10 dos 12 governos a ser renovados no domingo, é o favorito na eleição presidencial de 2012, para a qual Calderon está impedido de participar pela Constituição.

A sombra dos cartéis da droga paira sobre a campanha eleitoral. A influência deles, principalmente nas eleições mexicanas e nos meios políticos em geral, é denunciada há muito tempo, mas nunca foi tão sangrenta quanto agora.

Em 28 de junho, foi assassinado Rodolfo Torre , candidato do PRI e favorito para o cargo de governador de Tamaulipas, na fronteira com o Estado americano do Texas. Dois prefeitos e um candidato a uma prefeitura foram assassinados desde fevereiro em Tamaulipas e no Estado de Chihuahua, também na fronteira com os EUA.

"Essas mortes são uma advertência dos cartéis aos partidos políticos e aos eleitores, com o objetivo de orientar seus votos. Também é um alerta a Calderón, que os desafiou elevando a luta contra o 'crime organizado' como prioridade nacional desde sua chegada ao poder, em dezembro de 2006", disse um diplomata estrangeiro no México que preferiu não ter o nome revelado.

Calderón também é alvo da oposição que denuncia o fracasso da sua estratégia contra os cartéis: 23 mil mortes foram registradas desde dezembro de 2006, apesar da participação de 50 mil militares no reforço policial, e os traficantes nunca foram tão ameaçadores. A eleição de domingo revelará a confiança do país nessa política, julgou o diplomata.

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Presidente Felipe Calderón lançou sua guerra contra o narcotráfico desde sua posse, em dezembro de 2006
"Haverá uma abstenção elevada, sobretudo nas regiões de forte presença do crime organizado", prognosticou por sua vez René Jimenez, pesquisador da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) e especializado em violência social.

"Os cartéis precisam assegurar a benevolência dos dirigentes políticos locais, ou até nacionais, nessa guerra entre gangues pelo controle do tráfico do país e o com destino aos EUA", primeiro cliente mundial da cocaína, explicou ainda o diplomata.

No Estado de Tamaulipas, por exemplo, onde a gangue dos "Zetas" ocupa abertamente as ruas de uma grande cidade, controlando, por exemplo, a identidade dos jornalistas de passagem, "podemos ver que só existem pendurados nas paredes cartazes eleitorais do PRI", testemunhou um repórter estrangeiro.

*Com informações da EFE e AFP

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