México pede que futuro presidente dos EUA reconheça problemas na fronteira

Biarritz (França), 3 nov (EFE).- O secretário de Desenvolvimento Social mexicano, Ernesto Cordero Arroyo, afirmou hoje que o futuro presidente dos Estados Unidos deverá dar mais peso à relação entre os dois países e reconhecer que há um problema de segurança nos dois lados da fronteira.

EFE |

Cordero, que participa do 9ª Fórum de Biarritz, na França, destacou à imprensa que o presidente que será eleito amanhã deve admitir que a situação de violência vivida no norte do México, sobretudo por causa do narcotráfico, tem origem em parte nos EUA.

O fato de que muitas das armas utilizadas pelos narcotraficantes virem dos EUA "é uma realidade que deve ser reconhecida", da mesma forma que boa parte da responsabilidade dos problemas do tráfico de drogas tem sua origem na existência de uma demanda para o consumo.

Cordero também pediu que o futuro Governo americano reconheça que o México está realizando uma "guerra sem quartel" contra o narcotráfico, um "problema de consumo" que as autoridades mexicanas estão enfrentando na medida que lhes corresponde.

"O futuro presidente deve ponderar sua relação com o México" em relação aos vínculos que os dois países têm por compartilharem uma longa fronteira e pela importância dos fluxos migratórios, entre outras razões.

Sobre a imigração, o secretário mexicano insistiu que "é preciso resolvê-la de forma realista, e não tapar o sol com a peneira", ao reiterar sua condenação à construção de um muro na fronteira.

"Não há muro que possa deter os movimentos migratórios", declarou antes de afirmar que o futuro presidente dos EUA "deve entender que devemos ordenas os fluxos migratórios".

Essa regulação tem que ser feita "de maneira justa e transparente", com o objetivo de que os fluxos de pessoas entre EUA e México "tragam prosperidade" aos dois.

O secretário de Desenvolvimento Social disse que seu Governo está muito atento ao possível fato de a atual crise financeira e econômica acarretar uma diminuição das remessas enviadas pelos imigrantes mexicanos nos EUA, e inclusive a possibilidade de alguns deles voltarem a seu país.

Sem querer antecipar a dimensão desse fenômeno, sobre o qual disse que "é preciso ser muito prudente", Cordero disse que está sendo feito "todo o possível para que os mexicanos que queiram retornar encontrem uma atividade produtiva", e falou em empréstimos de 0% de juros para iniciar seus projetos empresariais.

No discurso perante o plenário do Fórum de Biarritz, o secretário assinalou que "perante a adversidade econômica (...), o México está aumentando o investimento em infra-estrutura".

Cordero advertiu que "isolar-nos neste momento pode trazer conseqüências desastrosas".

A esse respeito, o secretário lembrou que, nos últimos sete anos, as trocas comerciais multiplicaram por sete, até alcançarem US$ 5 bilhões com a União Européia (UE), que no ano passado se tornou o principal investidor estrangeiro no México.

Antes de Cordero, discursou o presidente da Câmara dos Deputados do México, César Duarte, que após elogiar o acordo de relação estratégica assinado por seu país e a UE, disse que agora "é preciso fazer do subcontinente latino-americano um espaço de investimento global".

Veracruz, no México, é candidata à organização, em 2009, do Fórum de Biarritz, realizado um ano na cidade francesa e no outro na América Latina. Quito também é candidata oficial a sediar o evento do próximo ano. EFE ac/wr/jp

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