México: Número de mortes confirmadas por gripe suína cai para 7

O governo mexicano afirmou na noite desta terça-feira que o número de mortes comprovadas relacionadas ao vírus da gripe suína é de apenas sete, e não 20, como havia sido divulgado anteriormente. Em uma entrevista coletiva realizada nesta terça-feira, o ministro da Saúde do México, José Córdoba, confirmou 2.

BBC Brasil |

498 casos de hospitalização por pneumonia grave, que foram tratados como casos suspeitos de gripe suína.

Desses casos, 159 pacientes morreram. Mas apenas sete mortes, segundo ele, estão comprovadamente relacionadas ao novo vírus. As demais mortes inicialmente atribuídas ao vírus após um exame inicial em um laboratório canadense, ainda deverão passar por novos testes de confirmação.

Os números apresentados, no entanto, também não podem ser considerados completos, já que não contabilizam os dados de todo o sistema de saúde mexicano.

Em relação às denúncias de que pessoas não estão sendo aceitas em alguns hospitais ou sobre centros de saúde que estão fechados, o ministro disse desconhecer os fatos.

Ele afirmou, no entanto, que para agilizar os diagnósticos, a partir desta quarta-feira, serão colocadas nas ruas "Caravanas da Saúde", que examinarão suspeitos de estarem com a doença e distribuirão medicamentos.

Questionado sobre a origem do vírus, o ministro disse não ter a resposta.

"Querem dizer que é mexicano, mas não entendo. O genoma (do vírus) mostra que é euro-asiático. Sendo assim, temos que ver quem o trouxe."
Sobre a propagação do vírus no México, Córdoba negou que o governo tenha demorado em agir e disse que, assim que souberam da circulação do novo vírus, deram o alarme à população.

Economia
Ainda durante a coletiva, o ministro do Trabalho, Javier Lozano, comentou as ações que vêm sendo adotadas para conter o avanço do surto, como o fechamento dos restaurantes, imposto na terça-feira pelo governo da Cidade do México.

"Não acreditamos em absoluto que alguns estabelecimentos tenham que fechar totalmente suas portas. Mas aceitamos as medidas que as diversas unidades da República estão adotando", disse. "A prioridade é a saúde pública."
O governo do distrito federal decidiu proibir o funcionamento de estabelecimentos comerciais com grande concentração de pessoas, como restaurantes, bares, discotecas, salões de festa, centro de convenções, centros esportivos e academias até o dia 5 de maio. Os restaurantes que tem serviço de entrega podem continuar funcionando.

No começo da semana, muitas indústrias passaram a adotar um sistema de turnos e diversas empresas mandaram seus funcionários trabalharem em casa.

As aulas permanecem suspensas e recintos fechados e de aglomeração, como cinemas, academias e museus, continuam sem funcionar.

"É prematuro dizer qual será a repercussão econômica que este surto terá no país, assim como quais serão as medidas de apoio aos setores produtivos", disse Lozano.

Estados Unidos
Depois do México, onde começou o surto de gripe, os Estados Unidos são o país mais atingido pela doença, com 64 casos confirmados.

Nesta terça-feira, o governador do Estado norte-americano da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, declarou estado de emergência na região como medida de precaução, mas afirmou que "não há motivos para se alarmar".

Pelo menos 11 casos da doença foram confirmados na Califórnia.

Também nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, empossou oficialmente Kathleen Sebelius na Secretaria da Saúde, logo após seu nome ser aprovado pelo Senado. Ela renunciou ao governo do Kansas para assumir a pasta.

Obama afirmou que queria apressar a posse da nova secretária para que ela pudesse tomar as medidas para combater o surto de gripe no país.

"Nós queríamos que ela tomasse posse rapidamente porque temos um desafio de saúde pública que pede atenção imediata", disse Obama na cerimônia.

O presidente dos EUA também pediu, em uma carta aos líderes do Congresso, um montante adicional de US$ 1,5 bilhão para ajudar no combate à gripe suína.

Brasil
Em uma nota divulgada na noite desta terça-feira, o Ministério da Saúde do Brasil afirmou que, até o momento, não há nenhum caso confirmado da doença no país nem evidências de que o vírus possa ter chegado ao Brasil.

Segundo o Ministério, estão sendo monitoradas 20 pessoas que estiveram nas áreas afetadas e apresentaram alguns sintomas ou que mantiveram contato com estes indivíduos.

Além desses casos, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo descartou os dois casos suspeitos da doença registrados no Estado. Um dos pacientes tinha sinusite e o outro não apresentava febre, um dos sintomas da gripe suína.

Casos
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), sete países já confirmaram oficialmente casos da gripe.

Além de Estados Unidos e México, já confirmaram casos da doença Canadá (com 6 ocorrências), Nova Zelândia (3), Grã-Bretanha (2), Espanha (2) e Israel (2).

Entre os países que investigam casos suspeitos estão Austrália, Brasil, Chile e Dinamarca.

Nenhuma morte por suspeita da doença foi registrada fora do México.

Nesta terça, o governo da Argentina anunciou a suspensão de todos os voos provenientes do México a partir desta quarta-feira, em uma tentativa de evitar que o vírus da gripe suína chegue ao país. A medida deve valer até a próxima segunda-feira.

Investigação
Também nesta terça-feira, a organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), anunciou estar enviando uma equipe para investigar fazendas comerciais de criação de porcos no México que poderiam ser a fonte do surto de gripe suína.

O veterinário-chefe da FAO, Joseph Domenech, disse à BBC que os rumores de que pessoas teriam adoecido no mês passado perto de um grupo de fazendas de criação intensiva fizeram com que a organização decidisse iniciar a investigação.Os peritos chegam ao México nesta semana e devem ajudar o governo a avaliar a situação epidemiológica no setor de produção suína.

*Com informações da Redação da BBC Brasil em São Paulo

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