México manda avião para resgatar cidadãos em quarentena na China

Por Chris Buckley PEQUIM (Reuters) - O México anunciou na segunda-feira planos para enviar um avião que resgate cerca de 70 cidadãos do país submetidos a quarentena em diversos lugares da China por causa da gripe H1N1.

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A chanceler Patricia Espinosa acusou no fim de semana a China de cometer discriminação contra os mexicanos, já que dezenas de pessoas foram confinadas depois da confirmação de apenas um caso, de um homem que agora está em Hong Kong.

Ma Zhaoxu, porta-voz da chancelaria chinesa, rejeitou essa crítica na segunda-feira, dizendo que o isolamento era o procedimento correto. "As medidas envolvidas não se dirigem (exclusivamente) a cidadãos mexicanos, e não há discriminação", disse Ma em nota divulgada no site do ministério chinês (http://www.mfa.gov.cn).

"Foi puramente uma questão de quarentena médica", afirmou o porta-voz, pedindo que o México tenha "plena compreensão das medidas adotadas pela China e lidem com esta questão de forma objetiva e calma."

O México é o epicentro da nova gripe, que em uma semana matou pelo menos cem pessoas e se espalhou para 20 países, gerando temores de uma pandemia.

Uma porta-voz da embaixada mexicana em Pequim disse que o governo pretende enviar um avião à China para resgatar os cidadãos confinados e aqueles que desejem partir. Ela afirmou que no domingo havia cerca de 70 confinados, principalmente em Xangai e Pequim.

A enorme população e a precária infra-estrutura de saúde da China tornam o país muito vulnerável à propagação do vírus. O confinamento dos mexicanos, porém, desperta um debate sobre até onde os governos devem ir para se proteger. Até mesmo mexicanos que vivem fora do México (e que portanto não tiveram contato com o vírus) foram submetidos ao isolamento, segundo a embaixada.

No hotel Guo Men, em Pequim, a embaixada enviou na segunda-feira bagagens, alimentos e jogos de tabuleiro para dez dos seus cidadãos retidos no interior, sob a vigilância de seguranças.

O jornal China Daily noticiou na segunda-feira o cancelamento de um voo fretado da China Southern Airlines que iria resgatar cidadãos chineses retidos no México. O jornal afirmou que a empresa não recebeu autorização de pouso.

Apesar do atrito diplomático, analistas dizem que não deve haver maior abalo nas relações sinomexicanas, num momento em que Pequim busca uma maior presença comercial na América Latina.

O México é o segundo maior parceiro comercial da China na região (atrás do Brasil), e é o principal destino das exportações chinesas na América Latina, segundo as estatísticas chinesas.

(Reportagem adicional de Ben Blanchard e Tan Ee Lyn em Hong Kong)

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