México lembra 40 anos de massacre que marcou história

O México relembra nesta quinta-feira os 40 anos de um dos episódios mais marcantes de sua história recente - o massacre de uma manifestação estudantil na Praça das Três Culturas, ou Tlatelolco, na capital do país, em 2 de outubro de 1968. A organização Anistia Internacional divulgou uma nota pedindo que o governo do presidente Felipe Calderón dê fôlego novo a uma investigação para esclarecer questões inquietantes que permanecem sem resposta.

BBC Brasil |

Quatro décadas depois do incidente, ainda não há consenso sobre os mortos. À época, o governo de Gustavo Díaz Ordan afirmou que 30 pessoas morreram. Mas organizações internacionais e correspondentes estrangeiros que testemunharam os eventos dizem ter contado mais de 300 cadáveres.

O massacre ocorreu dias antes da abertura dos Jogos de Verão na cidade do México, em 2 de outubro de 1968. Por volta das 18h, policiais, militares e homens à paisana rodearam a praça e abriram fogo utilizando veículos armados, tanques de guerra e armas pesadas.

Guerra Fria
O governo acusava os estudantes de envolvimento com o bloco comunista, em plena era da Guerra Fria e da disputa das duas superpotências - Estados Unidos e União Soviética - por influência na América Latina e em outras partes do globo.

Ignorando a geopolítica internacional, acadêmicos consideram que o massacre foi um ponto de inflexão na história política do país, que evidenciou a falta de conexão entre o Partido Revolucionário Institucional (PRI) e o povo mexicano.

Para muitos, ao denunciar esta falta de compasso, o movimento estudantil de 1968 sentou as bases da democratização do país, que viria muito depois com a derrota do PRI nas eleições de 2000, após 71 anos no poder.

O governo do presidente Vicente Fox, que sucedeu o regime revolucionário, estabeleceu uma comissão especial para investigar o massacre. Entretanto, até hoje ninguém foi condenado pelo ocorrido.

"O fracasso do governo mexicano em estabelecer a verdade sobre o que ocorreu na noite do dia 2 de outubro de 1968 deixou uma grande cicatriz na sociedade mexicana", disse a vice-diretora de Américas da Anistia Internacional, said Kerrie Howard.

Para ela, tal ferida "só pode ser curada através do completo esclarecimento (do episódio), o julgamento dos responsáveis e as reparações às famílias das vítimas".

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