México identifica brasileiro entre imigrantes mortos

Após as necropsias, até agora foram identificados 15 corpos

AFP |

Quinze dos 72 imigrantes ilegais assassinados em Tamaulipas , no nordeste de México, já foram identificados, incluindo um dos quatro brasileiros mortos no massacre, revelou à AFP um funcionário da procuradoria estadual.

"São 15 corpos identificados até agora, após 32 necropsias", disse em Ciudad Victoria, capital de Tamaulipas, o funcionário da procuradoria.

O governador de Tamaulipas, Eugenio Fernández, viajou na quinta-feira à Cidade do México para se reunir com o ministro do Interior, Francisco Blake, e ambos concordaram que é preciso "fortalecer o combate ao crime organizado e proteger os grupos vulneráveis, como os imigrantes", impedindo que os delinquentes aproveitem sua situação para sequestrá-los ou recrutá-los para o crime.

Diplomatas de El Salvador, Honduras e Equador chegaram na quinta-feira à região para ajudar nos trabalhos. O cônsul-geral do Brasil no México, Márcio Araújo Lage, e o vice-cônsul, João Batista Zaidan Fernandes, estão na cidade mexicana de Reynosa , segundo o Itamaraty, de onde acompanham as investigações.

O governo mexicano informou preliminarmente na quarta-feira que pelo menos quatro imigrantes mortos seriam brasileiros . No entanto, as autoridades encontram dificuldade em identificar as vítimas porque muitas não possuem passaportes ou documentos de identidade.

O massacre de 58 homens e 14 mulheres está sendo atribuído ao grupo criminoso Los Zetas, segundo testemunhos do único sobrevivente - o equatoriano Luis Freddy Lala Pomavilla , que conseguiu escapar ao se fingir de morto depois de ser baleado e procurar as autoridades.

Segundo Pomavilla, o grupo era de imigrantes que tentavam entrar ilegalmente nos Estados Unidos. Eles foram sequestrados pelo grupo armado e assassinados por se negar a entrar no crime organizado.

Na quinta-feira, soldados mexicanos vasculharam a zona rural na fronteira com o Estado americano do Texas em busca dos autores do massacre, o pior da guerra entre traficantes no país. As vítimas tiveram olhos vendados, bocas e mãos atadas e foram colocados em fila, contra a parede de um galpão, onde foram mortos a tiros.

Representantes pastorais mexicanos afirmaram nesta quinta-feira que há mais de quatro anos denunciam que o cartel do tráfico Los Zetas está sequestrando e assassinando imigrantes no nordeste, afirmando que não foram atendidos pelas autoridades. O padre Pedro Pantoja, representante da Associação de Casas del Migrante do México, explicou que "as ações de sequestro de imigrantes buscam não só pedir resgate, mas submetê-los a condições de exploração trabalhista e sexual e outros fins ilícitos".

Migrantes que tentam entrar nos EUA estão cada vez mais sob risco por causa das quadrilhas de traficantes que operam praticamente impunes em áreas do norte do México. A cada ano, calcula-se que cerca de 300 mil imigrantes ilegais cruzem a fronteira sul do México com a intenção de chegar aos Estados Unidos, e muitos deles são vítimas de extorsões, roubos, violações e sequestro.

*Com AP, BBC e Reuters

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