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México fecha 2008 marcado por violência e morte de ministro

Raúl Cortés. México, 20 dez (EFE).- Com o primeiro atentado deliberado contra a população civil, um recorde de mais de cinco mil assassinatos e infiltração nas altas esferas policiais, o narcotráfico intimidou um México que acabou o ano consternado pela trágica morte de seu ministro do Interior, Juan Camilo Mouriño.

EFE |

O presidente Felipe Calderón já havia anunciado, ao assumir o cargo em 1º de dezembro de 2006, que a luta contra os cartéis de drogas iria custar muitas vidas humanas.

A dúvida é se suas previsões contemplavam um aumento de 2.700 assassinatos, em 2007, para mais de cinco mil este ano.

O primeiro susto para a população chegou em meados de janeiro, quando dois menores morreram em ataques armados contra policiais em Tijuana, na fronteira com San Diego (EUA), onde um tiroteio obrigou a retirada de dezenas de crianças de uma creche.

Um exemplo claro de que a ira dos narcotraficantes já ultrapassa seus antigos "códigos de honra".

Em fevereiro, um atentado fracassado com explosivos contra um alto funcionário da Polícia, na Cidade do México, deixou um morto e dois feridos; em março foram assassinadas a tiros sete pessoas em um escritório de advocacia em Guadalajara, no oeste mexicano, e, em maio, um comandante policial foi morto a tiros na porta de sua casa na capital.

A violência do crime organizado disparou no segundo semestre, apesar dos esforços do Governo de Calderón.

Entre as conquistas governamentais, destacam-se a captura de vários chefes do narcotráfico, como Alfredo Beltrán Leyva, conhecido como "El Mochomo", do Cartel de Sinaloa, e o maior confisco de armamento da história do México (500 mil cartuchos, 278 armas longas, 126 curtas e cerca de 300 granadas).

Mas o ponto alto das ações do Governo aconteceu com o início da "Operação Limpeza", que entre setembro e outubro permitiu a detenção de vários altos comandantes policiais.

Os casos mais famosos foram as do diretor da Interpol no México, Ricardo Gutiérrez, e do ex-chefe antidrogas de Calderón por 20 meses Noé Ramírez, acusado de receber um salário mensal de US$ 450 mil de um cartel de traficantes.

Um relatório oficial evidenciou, porém, que 49% dos policiais do país não são "adequados" para realizar trabalhos de segurança e proteger os cidadãos.

Isto ficou claro em 15 de setembro, quando a comemoração da Independência em Morelia, no oeste do país, foi interrompida abruptamente por duas explosões de granadas lançadas contra a multidão, com um saldo de oito mortos e cerca de 100 feridos.

As três pessoas detidas pela ação confessaram fazer parte do grupo "Los Zetas", uma sanguinária organização criminosa dirigida pelo chamado Cartel do Golfo.

O atentado aconteceu após uma reunião do Conselho Nacional de Segurança Pública, em resposta a uma manifestação de dezenas de milhares de pessoas na capital para pedir segurança nas ruas.

O estopim dessa passeata foi o seqüestro seguido de assassinato do filho adolescente de um reconhecido empresário.

Além disso, três dias antes da tragédia de Morelia, foram encontrados os corpos de 24 homens assassinados em uma mata da capital e, dois dias depois, morreram 20 réus durante rebelião em uma cadeia de Tijuana, situação que se repetiria em uma prisão de Tamaulipas, um mês depois.

Em agosto aconteceu também o massacre de 13 pessoas na cidade turística de Creel, no estado de Chihuahua, no norte, que acabaria transformado no mais letal do país, concentrando um terço dos assassinatos do México.

Para combater a violência, o Governo recebeu este ano US$ 197 milhões dos Estados Unidos no marco da Iniciativa Mérida, um plano antidrogas que prevê a entrega de US$ 1,4 bilhão em três anos.

O assombro dos mexicanos chegou a seu auge em 4 de novembro, quando o avião em que viajava o ministro do Interior, Juan Camilo Mouriño, caiu em uma área empresarial da Cidade do México.

O incidente, que deixou 15 mortos, levantou suspeitas sobre um possível atentado do crime organizado, embora a investigação aponte que se tratou de um acidente.

No terreno político, o país normalizou suas relações diplomáticas com Cuba e aprovou uma reforma energética no Congresso após sete meses de protestos no Legislativo e nas ruas. EFE rac/jp/mh

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