México enfrenta 'guerra atroz' do crime organizado, diz Calderón

Desde posse de presidente mexicano, em dezembro de 2006, 28 mil morreram na chamada "guerra ao narcotráfico"

iG São Paulo |

O México enfrenta "uma guerra cada vez mais atroz" entre grupos do crime organizado, admitiu nesta quinta-feira o presidente Felipe Calderón, em seu quarto relatório anual sobre o governo. Ao mesmo tempo, porém, o líder mexicano indicou que houve avanços ano combate ao narcotráfico no país com a captura de grandes chefões da droga.

AP
Presidente mexicano, Felipe Calderón, aparece em telão enquanto apresenta relatório sobre o governo ao Congresso na Cidade do México
A situação vivida pelo México "é de uma guerra entre os grupos do crime organizado em sua disputa por territórios, mercados e rotas" disse Calderón em ato público no Palácio Nacional, em que resumiu as linhas principais do documento que enviou por escrito ao Congresso na quarta-feira.

Depois de admitir a preocupação da sociedade com a crescente violência do narcotráfico, que deixou mais de 28 mil mortos desde que assumiu o poder, em dezembro de 2006, Calderón atribuiu as ações cada vez mais violentas dos cartéis das drogas ao desespero pelos golpes recebidos, entre eles a captura de 125 chefões e lugar-tenentes.

"A captura ou morte de importantes líderes criminosos desatou nessas organizações criminosas maior desespero", afirmou. "Esse processo de confronto debilita esses grupos, mas causa grande intranquilidade na sociedade", afirmou Calderón referindo-se a críticas a sua estratégia de mobilizar 50 mil militares para perseguir os cartéis.

Relatório

No documento encaminhado ao Congresso, Calderón defendeu "o avanço na ofensiva contra o crime organizado", apesar de numerosas críticas a sua guerra aberta ao narcotráfico. "O indicador mostra uma tendência positiva nos últimos anos", afirma o documento, que que o líder revela que os cartéis perderam US$ 10,3 bilhões durante seu governo.

O governo americano quantificou em US$ 25 bilhões anuais o negócio dos cartéis mexicanos, por isso esse número representaria perdas aproximadas de 10%.

Quanto às apreensões de droga, Calderón afirmou que foi possível evitar que cada jovem mexicano tivesse acesso a 1,5 mil doses. O maior confisco foi de cocaína, com 99 toneladas. No último ano, foram confiscados carregamentos avaliados em US$ 72 milhões.

O relatório faz referência também aos chefes e grandes responsáveis dos cartéis mortos, destacando Arturo Beltrán Leyva e Ignacio "Nacho" Coronel, ambos abatidos em operações de captura das Forças Armadas.

Arte/iG
Presidente mexicano, Felipe Calderón, lançou guerra contra o narcotráfico logo após posse
O item de segurança do relatório não menciona as 28 mil mortes nos quatro da chamada "guerra ao narcotráfico", em sua maioria membros dos cartéis, que morreram nos choques entre os próprios grupos criminosos pelo controle dos pontos de venda de drogas.

O elevado número de mortes é a principal crítica feita a Calderón por diversos setores. De acordo com dados dos serviços secretos, houve quase mil enfrentamentos armados desde o início do governo.

*EFE e AFP

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